Caixa Cultural vai expor peças resgatadas do Museu Nacional

O público do Rio de Janeiro poderão contemplar obras resgatadas dos escombros do Museu Nacional. Hoje completa um ano do incêndio que acometeu a instituição e a partir de amanhã (3), a Caixa Cultural, no Centro da cidade, vai inaugurar uma exposição gratuita com mais de 60 peças arqueológicas. A mostra também inclui os itens recuperados por pesquisadores da área do palácio da Quinta da Boa Vista, que dão uma ideia aos visitantes de como viveram os primeiros habitantes do estado fluminense.

Exposição com itens do Museu Nacional

Fora as obras recuperadas do Museu Nacional, a exposição intitulada “Santo Antônio de Sá: Primeira Vila do Recôncavo da Guanabara” acumula peças da mostra de mesmo nome, que em 2010 teve sua primeira apresentação. O acervo é composto por itens encontrados durante a construção do Complexo Petrolífero do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí. Estas peças integravam uma parte do acervo do Museu Nacional e como estavam armazenadas no Horto Botânico da Quinta da Boa Vista, elas não foram atingidas pelo incêndio do ano passado.

Escavações

Por meio das escavações foram identificados dois momentos de diferentes períodos do Recôncavo da Guanabara. O primeiro diz respeito do que seria a região de fundo da Baía de Guanabara, abrangendo as cidades de Guapimirim, Itaboraí e Magé. No início, esta área serviu de moradia a índios tupis, além de receber colonizadores europeus, que trouxeram negros escravizados.  

O Tembetá é uma das principais peças da mostra da Caixa Cultural, foi uma pequena joia usada pela tribo Tupi, no século 16. Por meio desta informação, os pesquisadores conseguiram analisar a época em que os índios residiam nesta região. O acervo conta ainda com itens como cachimbos africanos, que mostra a cultura da população negra, além de faianças, que são porcelanas espanholas e portuguesas que contêm brasões de famílias que deram origem aos sobrenomes de uma grande parcela de brasileiros, como o popular Silva.

Curadoria da mostra

A historiadora e museóloga Thereza Baumann divide a curadoria da mostra com a antropóloga Maria Duce Gaspar. Ela explicou ao jornal O Globo que a ideia da exposição é conectar diferentes obras arqueológicas e ressaltar a intenção do Museu nacional de permanecer “vivo”. Baumann também afirmou:

“O museu sempre foi uma casa de ciência e de divulgação do conhecimento, desde o momento em que foi criado. Nesse momento em que a universidade pública está sofrendo tantos desgastes, reafirmar a importância de uma instituição como o museu é fundamental para mostrar que ele está vivo”.

Peças recuperadas do Museu Nacional

Entre as peças resgatadas pelos 46 pesquisadores do núcleo de resgate do Museu Nacional e que integrarão a exposição da Caixa Cultural, estão itens da mostra “Entre Dois Mundos”, que reunia objetos descobertos em sítios arqueológicos em Araruama, na Região dos Lagos. Sobre este serviço de recuperação, a museóloga ressaltou que no início a mostra seria temporária. Porém, com o interesse do grande público, ela se tornou permanente.

“Esse acervo é preciosíssimo, porque é uma testemunha da luta de indígenas, portugueses e franceses no século XVI. Há inclusive uma cota de malha, que é um item raríssimo que era usado pelos franceses. Ela fazia parte da exposição no museu, foi resgatada e está sendo restaurada”.

Maiores peças da mostra

As maiores obras da mostra são duas placas em pedra, que apontam a fundação do Convento de Santo Antônio de Sá. As peças mais de 150 kg e integram parte do acervo da Casa de Cultura Heloísa Alberto Torres, situada em Itaboraí. Um dos itens estava emprestado à exposição em comemoração aos 80 anos da Associação Amigos do Museu Nacional e acabou se perdendo durante o incêndio. Conhecido como “Pão de Açúcar”, o objeto era um vasilhame muito utilizado pelos portugueses durante a época de cultivo de cana-de-açúcar, entre os séculos 16 e 17. Dessa cana saía um caldo apurado que era depositado em uma fôrma cônica de barro, o tal “pão de açúcar”. Por conta de sua semelhança com o vasilhame antigo, um dos maiores cartões postais do Rio de Janeiro, recebeu o nome de Pão de Açúcar e é situado no bairro da Urca.

Informações

A exposição “Santo Antônio de Sá: Primeira Vila do Recôncavo da Guanabara” permanece aberta à visitação até o dia 8 de dezembro. O acesso é gratuito e com classificação livre. Para mais informações, basta acessar o site da Caixa Cultural.

Fonte: O Globo

*Foto: Divulgação / Gabriel de Paiva / Agência O Globo