A 7ª edição do Festival CasaBloco marca, pela primeira vez, a união simbólica e prática entre os carnavais do Rio de Janeiro e do Recife. A abertura ocorre nesta sexta-feira (23) e sábado (24), na Praça do Arsenal, no Centro Histórico da capital pernambucana, com programação gratuita que mistura samba, frevo, maracatu e manifestações populares tradicionais. O evento tem início às 17h, com o acerto de marcha de blocos líricos como Confete e Serpentina, e segue até a noite, quando Elba Ramalho sobe ao palco, às 22h.
Além dos shows, o CasaBloco promove encontros inéditos entre ícones do carnaval brasileiro. Um dos destaques é a aproximação entre o Cordão da Bola Preta, bloco carioca fundado há 107 anos e responsável por arrastar multidões no centro do Rio, e o Galo da Madrugada, símbolo do carnaval do Recife, que reúne mais de um milhão de pessoas no sábado de Zé Pereira. A proposta do festival é evidenciar semelhanças, diferenças e diálogos possíveis entre as duas tradições.
O público que passar pela Praça do Arsenal também acompanha a presença dos Caboclos de Lança, do Maracatu de Baque Solto, com aula espetáculo conduzida pelo Mestre Manuelzinho Salustiano. A atividade reforça o caráter pedagógico do festival, que busca não apenas celebrar, mas contextualizar as manifestações culturais apresentadas.
Para a idealizadora e diretora-geral do CasaBloco, Rita Fernandes, a edição no Recife representa a concretização de um projeto que nasceu pequeno e ganhou dimensão nacional. “Uma realização muito grande, porque a gente começou ali de uma pequena ideia e, quando se deu conta, a coisa aconteceu e em uma escala maior da que a gente imaginava no começo”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.
Expansão e circulação cultural
Rita Fernandes destacou a relevância do carnaval pernambucano no cenário cultural do país e o colocou ao lado do Rio de Janeiro e da Bahia como polos centrais da festa popular brasileira. “Eu acho que são as três culturas carnavalescas mais importantes do Brasil. Mas eu tenho um sentimento especial pela cultura pernambucana porque a diversidade de ritmos e de tipos de manifestações aqui é imensa. Quando você acha que conheceu tudo, ainda tem coisa nova para conhecer”, avaliou.
Ela ressaltou a variedade de expressões presentes no estado, que vão dos maracatus urbanos e rurais aos Cavalos Marinhos, passando por periquitos, frevos e cirandas. “Você tem aqui os maracatus urbanos e rurais, os Cavalos Marinhos, os Periquitos, os frevos, as cirandas e por aí vai. É um negócio gigantesco. Me impressiona muito também o orgulho pernambucano da sua cultura, coisa que eu venho há muito tempo levantando uma bandeira”, acrescentou.
Na avaliação da diretora-geral do CasaBloco, a cultura brasileira ultrapassa a noção de identidade simbólica e exerce impacto direto na economia e na organização social. “Ela move grupos, economia, sentimentos, identidades”. Segundo Rita, o setor cultural ainda não é reconhecido de forma proporcional à sua relevância. “A força da cultura brasileira é muito grande. E eu acho que ela não foi reconhecida na sua capacidade, na sua potência, em nenhuma das escalas e esferas, como tem que ser, como setor produtivo, econômico, dos mais importantes que o Brasil tem”, disse.
A edição pernambucana também representa uma inversão de fluxo dentro do projeto. Até agora, o CasaBloco levava ao Rio manifestações culturais de diferentes regiões do país. “Mas agora estou conseguindo fazer o inverso, fazendo circular as manifestações cariocas, misturar os carnavais do Brasil que eu acho tão importantes”, afirmou. Para ela, a experiência no Recife é o primeiro passo de uma expansão mais ampla, com planos de incluir cidades como Belém, no Pará, e São Luís, no Maranhão, ambas com tradições consolidadas de cultura popular.
No Rio de Janeiro, o festival volta a ocupar o Jockey Club entre os dias 29 e 31 de janeiro, com uma programação que inclui shows, performances, bailes e feiras de moda. A Cinemateca do Museu de Arte Moderna recebe, de 27 a 29, a V Mostra CasaBloco de Cinema. Entre os artistas confirmados estão Alcione, Sarajane, Samuel Rosa, Fernanda Abreu, Geraldo Azevedo, Juliana Linhares, Lenine e Spok Frevo. O evento prevê noites temáticas dedicadas ao samba, frevo, maracatu, pop, brega e axé, além de bailes dos blocos Cacique de Ramos, Quizomba e Fogo e Paixão.
A mostra de cinema exibe títulos como O Samba e Da Lata, 30 Anos, com roda de conversa no dia 27, além de Mistério do Samba, O Homem do Fraque Verde, Samba Infinito e Trinta e Anos 90 – A Explosão do Pagode, que encerra a programação no dia 29.
Fonte: Agência Brasil
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