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Curta-metragem produzido em Rondônia alcança 100 festivais e amplia presença do cinema amazônico no exterior

por Plataforma dos Municípios
Curta-metragem produzido em Rondônia alcança 100 festivais e amplia presença do cinema amazônico no exterior

O curta-metragem de animação Planeta Fome, produzido em Porto Velho, atingiu a marca de 100 participações em festivais de cinema nacionais e internacionais. A produção de Rondônia já foi exibida em eventos realizados na Europa, Ásia, África e América, consolidando sua circulação no circuito audiovisual e acumulando prêmios em diferentes categorias.

Escrito e dirigido por Édier William, o filme aposta em uma narrativa sem diálogos para abordar um tema que marcou o Brasil durante a pandemia de Covid-19. A inspiração surgiu a partir da chamada “fila dos ossos”, imagem que ganhou repercussão ao retratar pessoas em situação de vulnerabilidade buscando restos de alimentos. A partir desse cenário, a animação constrói uma ficção científica que discute desigualdade social e os impactos da fome.

Embora utilize um futuro distópico como pano de fundo, a produção mantém conexão direta com problemas que ainda fazem parte da realidade brasileira. A proposta é estimular reflexões sobre questões sociais, econômicas e ambientais por meio de uma linguagem visual que dispensa falas e prioriza a força das imagens.

Ficção científica retrata escassez e desigualdade

A história é ambientada no ano de 2125 e apresenta uma Porto Velho transformada por um cenário de colapso ambiental e econômico. Sem árvores e representada em preto e branco, a cidade simboliza um futuro marcado pela escassez de recursos naturais e pela intensificação das desigualdades.

Nesse contexto, a alimentação torna-se um artigo de luxo. A comida aparece como o único elemento colorido da tela, recurso utilizado para destacar seu valor em um ambiente onde a fome passa a funcionar como instrumento de controle social.

A narrativa acompanha Ivani, uma mulher negra e mãe solo, e seu filho Lucca, de 8 anos. Os dois enfrentam dificuldades para sobreviver em uma sociedade na qual o acesso aos alimentos é restrito e a sobrevivência depende da disputa por recursos cada vez mais escassos.

Segundo Édier William, a proposta do filme é provocar reflexão ao mostrar que a miséria extrema é consequência de decisões políticas e econômicas, e não apenas do acaso.

Produção de Rondônia alcança festivais em quatro continentes

O alcance internacional de Planeta Fome inclui exibições em festivais realizados na Espanha, Itália e Alemanha, na Europa; em Marrocos, na África; na China e na Índia, na Ásia; além de Canadá, Estados Unidos, México e Colômbia, nas Américas.

Entre as participações de maior destaque está a presença no Bengaluru International Short Film Festival, na Índia. O evento integra o grupo de festivais que qualificam produções para o Oscar, ampliando a visibilidade internacional das obras selecionadas.

No Brasil, o curta também conquistou espaço em diferentes mostras. A Mostra Sesc de Cinema levou Planeta Fome para 19 estados, ampliando o acesso do público à produção realizada em Rondônia e fortalecendo sua circulação pelo circuito nacional.

Além das exibições, o filme recebeu reconhecimentos em festivais brasileiros e internacionais, incluindo os prêmios de Melhor Filme, Melhor Animação e Melhor Trilha Sonora.

Investimento público fortalece o audiovisual regional

Produzido com profissionais de Rondônia, Planeta Fome foi financiado por meio da Lei Paulo Gustavo, com recursos destinados pela Fundação Cultural do Município de Porto Velho (Funcultural). O projeto reúne talentos locais e evidencia o potencial da produção audiovisual desenvolvida na região amazônica.

Para o animador Luan Ott, apesar de a história se passar no século 22, a realidade apresentada representa uma ampliação de problemas que já fazem parte do cotidiano. O futuro retratado pela animação funciona como um alerta sobre desafios sociais que permanecem atuais.

Na avaliação de Édier William, alcançar a marca de 100 festivais reforça a importância dos investimentos públicos destinados à cultura. Segundo a equipe responsável pelo projeto, políticas de incentivo ao setor contribuem para a geração de empregos, a formação de profissionais e a expansão da produção audiovisual da Amazônia para diferentes países, permitindo que histórias produzidas em Rondônia alcancem públicos de diversas partes do mundo.

Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/pessoas-aplaudindo-para-filmar_2278004.htm

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