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Documentário sobre a Rodoviária de Santos leva patrimônio histórico municipal a festival internacional

por Plataforma dos Municípios
Documentário sobre a Rodoviária de Santos leva patrimônio histórico municipal a festival internacional

O documentário “(Des)embarque – A luta de Cebola e outras histórias da Rodoviária de Santos” foi selecionado para integrar a mostra competitiva da primeira edição do Festival Internacional de Filmes de Médias-Metragens (FIM.ME). A obra figura entre as 18 produções escolhidas para o evento, que reúne filmes brasileiros e estrangeiros dedicados ao formato de média-metragem.

Além da participação na seleção oficial, o documentário concorre aos prêmios de Melhor Documentário de Média-Metragem, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Montagem e Prêmio Especial do Júri. O filme também poderá receber Menção Honrosa, de acordo com a avaliação do júri internacional.

A seleção amplia a visibilidade de uma produção que registra parte da história de um dos mais importantes equipamentos públicos de mobilidade urbana de Santos, apresentando personagens e acontecimentos que marcaram mais de cinco décadas de funcionamento do terminal rodoviário.

Festival internacional terá programação online e presencial

Criado em 2026, o Festival Internacional de Filmes de Médias-Metragens foi desenvolvido para valorizar produções com duração entre 26 e 50 minutos. A iniciativa surgiu a partir das experiências do Festival Internacional de Cinema do Caeté (FICCA), ampliando o espaço dedicado a esse formato audiovisual.

Nesta primeira edição, o festival será realizado em modelo híbrido. Conforme explicou ao g1 o criador e coordenador-geral do FIM.ME, Francisco Weyl, as etapas de inscrição, seleção e julgamento acontecem virtualmente. A comissão responsável pela avaliação reúne representantes do Brasil, Portugal e Cabo Verde.

Os filmes premiados serão disponibilizados entre setembro e outubro em um canal nas redes sociais do FICCA. Já a programação presencial ocorrerá em 6 de novembro, no auditório do Instituto Federal do Pará (IFPA), campus Bragança.

O caráter internacional do evento é garantido pela participação de produções nacionais e estrangeiras, fortalecendo o intercâmbio entre diferentes experiências do cinema documental.

Histórias que ajudam a preservar a memória da cidade

Dirigido por Nicole Zadorestki Caroti e Wagner de Alcântara Aragão, o documentário reúne relatos de pessoas que tiveram suas vidas ligadas à Rodoviária de Santos desde sua inauguração. O filme apresenta histórias construídas ao longo de mais de 57 anos de funcionamento do terminal.

Entre os personagens retratados está Jayme Rodrigues Estrella Júnior, conhecido como “Cebola”, cuja trajetória inspira parte do título da produção. Desde 1996, o nome dele identifica oficialmente a rodoviária santista.

Ao registrar experiências de trabalhadores, passageiros e personagens que passaram pelo local, a obra evidencia o papel da rodoviária na formação da identidade urbana de Santos. O terminal é apresentado não apenas como um espaço de transporte, mas também como um ambiente de encontros, despedidas e transformações sociais que acompanharam o crescimento do município.

Projeto cultural contou com incentivo da Prefeitura

Segundo os diretores, o documentário foi produzido entre janeiro e junho de 2021 dentro do projeto “Rodoviária de Santos, 50 anos de histórias”.

A iniciativa foi contemplada pelo 8º Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes da Prefeitura de Santos, com recursos do Fundo de Assistência à Cultura (Facult). O apoio público permitiu o desenvolvimento da pesquisa histórica, das entrevistas e da produção audiovisual.

O projeto integra ações de valorização do patrimônio cultural da cidade, utilizando o audiovisual como ferramenta para registrar acontecimentos e personagens ligados à história do município.

Rodoviária recebeu o nome de militante homenageado

Jayme Rodrigues Estrella Júnior atuou na resistência à ditadura militar no Brasil. Conforme informações da Prefeitura de Santos, ele foi perseguido e preso durante o regime e morreu em 1985 em decorrência das sequelas provocadas pelas torturas sofridas aproximadamente dez anos antes.

A Estação Rodoviária Jaime Rodrigues Estrella Júnior foi inaugurada em 29 de dezembro de 1969 pelo então interventor federal em Santos, general Clóvis Bandeira Brasil. Inicialmente, o terminal foi construído e administrado pela Prodesan. Em 1993, a gestão passou para a Secretaria Municipal de Transportes.

Ao conquistar espaço em um festival internacional, o documentário amplia o alcance da história da Rodoviária de Santos e reforça como iniciativas culturais apoiadas pelos municípios podem contribuir para preservar a memória coletiva, valorizar equipamentos públicos e divulgar o patrimônio histórico para novos públicos.

Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/operador-de-camera-cameraman-profissional-com-filmadora-hd-na-televisao-ao-vivo_11759314.htm

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