Empresários são atraídos por viagem que liga Jacarepaguá a Congonhas

Recentemente, uma viagem panorâmica entre Jacarepaguá e Congonhas tem feito a cabeça de empresários e executivos.

O trajeto conhecido como “Ponte Barra” em virtude de boa parte dos passageiros embarcarem no bairro da zona oeste do Rio de Janeiro, no Aeroporto de Jacarepaguá com destino à Congonhas, em São Paulo. Ele é realizado à bordo de um monomotor Cessna Grand Caravan.

Viagem panorâmica

O voo panorâmico, distante 3 mil pés do solo, mais baixo do que o da ponte aérea convencional, é feito pelo litoral, tornando-se um passeio sobre as praias mais belas de Rio e São Paulo.

A viagem foi pensada para atender este nicho de empresários e executivos, no intuito deles terem maior comodidade com o embarque perto de suas residências e que dura uma hora e quinze minutos, ante os 45 minutos geralmente gastos num voo tradicional entre a “cidade maravilhosa” e a “terra da garoa”.

viagem Sem engarrafamentos

O que atraiu muito este público a realizar este tipo de viagem que dura, em média, um pouco mais que convencional é fato de não precisar enfrentar engarrafamentos ou a insegurança da Linha Vermelha para chegar ao Aeroporto de Congonhas. É o que afirma o engenheiro Edmundo Navarro, de 53 anos, à Folha de S. Paulo, e ainda diz que a tarifa de embarque também é vantajosa:

“Para pegar o voo das 6h, saí de casa, em frente ao Rio Design, e cheguei ao aeroporto em 15 minutos. É minha primeira viagem. Gostei muito da comodidade e de poder ir a São Paulo para uma reunião e voltar na mesma manhã.”

Ele ressalta que pagou R$ 630 pela ida e voltar para viajar contra R$ 950 cobrados por outros voos nesta ocasião.  

Ponte Barra

A “Ponte Barra” foi inaugurada pela companhia aérea TwoFlex, no fim de outubro de 2019. O monomotor Cessna possui capacidade para transportar até nove passageiros e realiza três voos por dia (ida e volta), de segunda sexta. A criação da rota inédita entre o eixo Rio-São Paulo só foi possível, porque a TwoFlex, dedicada à aviação regional, foi uma das corporações que herdaram os slots (licenças de operação) da Avianca Brasil, que entrou em processo de recuperação fiscal em maio do ano passado. Com isso, a companhia aérea regional passou a operar 14 licenças na pista auxiliar de Congonhas, depois de aval da Anac.

Para o empresário Alexandre Gervásio, de 41 anos, a nova rota facilitou sua vida:

“Quando vi a opção de voo a partir de Jacarepaguá, cheguei a achar que era fake news . Nem imaginava que existisse esse serviço. Para mim, por questão de segurança, é uma ótima escolha. Não preciso sair de madrugada da Barra para ir em direção ao Centro. Além disso, já perdi muito voo por causa do trânsito.”

Belezas nas alturas

Geralmente, quem chega ao aeroporto não enfrenta dificuldades, porque a procura por este destino ainda não é imensa. Após fazer o check-in, os passageiros esperam a decolagem em uma sala VIP.

Durante a viagem, é possível contemplar as belezas das praias de Angra dos Reis, Paraty, Ubatuba e Santos, as duas últimas localizadas já no litoral paulista. Apesar da vantagem, por outro lado, a aeronave pequena e operada em baixa altitude favorece os famosos “sacolejos”, ou seja, ele balança mais do que os aviões da ponte aérea convencional.

Igor Menezes Amaral, um dos pilotos da “Ponte Barra”, explica sobre a pequena turbulência, a qual considera normal, principalmente na chegada à capital paulista:

“É comum balançar quando está chegando em São Paulo por causa da diferença de pressão. É melhor o passageiro se concentrar na paisagem.”

Horários de decolagem:

A aeronave decola às 6h, às 10h50m e às 17h10m, do Rio de Janeiro, e pousa às 7h15m, às 12h10m e às 18h30m, em São Paulo. Já os trechos de volta partem de Congonhas às 7h45m, 12h40m e 19h, com chegadas previstas em Jacarepaguá às 9h05m, 14h e 20h10m. Para esses voos, cada passageiro poderá despachar bagagem com até 23 quilos e embarcar com uma mala de mão com até dez quilos. A capacidade de transporte é de 54 passageiros por dia.

Hoje, a TwoFlex é a maior operadora de aeronaves Cessna Gran Caravan no Brasil. Ela possui sede em Jundiaí, no interior de São Paulo e opera com 18 aviões. Além disso, a companhia também tem bases na capital paulista, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Salvador.

Fonte: O Globo

*Foto: Divulgação / Fabiano Rocha / Agência O Globo