Estação Satyros encerra atividades em meio à pandemia

Ivam Cabral, cofundador do grupo, publicou nas mídias sociais que o Estação Satyros não deverá voltar a funcionar após o término do período de isolamento social

Em decorrência da pandemia do novo coronavírus, o setor de cultura tem sido bastante prejudicado. Com isso, o grupo teatral Os Satyros anunciou o fechamento de um de seus espaços, localizando no centro da cidade de São Paulo.

O cofundador da companhia, Ivam Cabral, publicou nas redes sociais, que o Estação Satyros, localizado na praça Franklin Roosevelt, não deve voltar a funcionar quando o período de isolamento social terminar:

“A notícia triste veio junto com uma pandemia. Desde março não temos mais o Estação Satyros. Quinze anos durou a nossa aventura no número 134 da praça Roosevelt. Tantas histórias, tantos sonhos, tanta alegria.”

Fechamento do Estação Satyros

O grupo paulistano administra outra sala de teatro na mesma praça, o Espaço dos Satyros Um, no número 214, inaugurada no ano 2000 com a sede da companhia em São Paulo.

Em declaração à Folha de S.Paulo, Cabral disse que, por enquanto, não existe motivo para preocupação em relação ao Espaço dos Satyros Um. Porém, ressaltou que não sido fácil manter o local durante a pandemia de Covid-19:

“Nos últimos tempos temos trabalhado muito só para manter os aluguéis. Tem sido uma barra. Não fecharíamos o Estação Satyros se não tivéssemos encontrado esta pandemia pelo caminho. Mas se tornou absolutamente inviável pensar em qualquer ação para a manutenção do espaço.”

Custos para manter o teatro aberto

Só o aluguel do Estação Satyros é de aproximadamente R$ 12 mil, muito acima dos R$ 8 mil mensais do Espaço dos Satyros Um. Com a falta de receita vinda da comercialização de ingressos ou de patrocinadores, Ivam e Rodolfo García Vásquez, também fundador do grupo, necessitam recorrer às próprias economias, o que costuma acontecer com frequência, mas que agora se agravou com a pandemia do novo coronavírus.

Eles esperam reabrir a sede na prala Roosevelt. No entanto, Cabral adianta que isso pode demorar:

“Não acreditamos que vá ocorrer este ano. Com sorte, em 2021.”

A dupla de fundadores está procurando alternativas para manter o espaço até lá. Entre as soluções, a principal delas é desenvolver uma plataforma para apresentar peças pela internet, com ingressos cujo valor auxiliará no pagamento do aluguel da sala que restou ao grupo.

A partir da próxima semana, os artistas da companhia iniciarão ensaios de espetáculos que serão encenados por meio de um aplicativo de videoconferência.

Fonte: Folha de S. Paulo

*Foto: Divulgação/Andre Stefano