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Haddad deve deixar Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo

por Plataforma dos Municípios
Haddad deve deixar Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana para disputar o governo de São Paulo nas eleições deste ano. A movimentação, que vinha sendo tratada com cautela dentro da equipe do ministro, passou a ser considerada certa por colaboradores próximos.

A informação sobre a saída iminente foi antecipada pelo jornal O Globo e confirmada posteriormente por outros veículos. A expectativa é que Haddad se afaste do cargo no Ministério da Fazenda para iniciar a articulação política de sua campanha.

Antes do lançamento formal da candidatura, o ministro pretende fazer uma breve pausa e organizar a estrutura eleitoral. Entre as prioridades está a definição da chapa e das alianças partidárias que sustentarão o projeto eleitoral no maior colégio eleitoral do país.

Montagem do palanque eleitoral

Aliados afirmam que Haddad pretende participar diretamente da escolha do candidato a vice-governador. Em conversas reservadas, ele costuma dizer que o posto deve ser ocupado por alguém de sua confiança.

A composição da chapa também pode incluir candidaturas ao Senado. Nos bastidores, cresce a possibilidade de que as ministras Marina Silva, do Meio Ambiente, e Simone Tebet, do Planejamento, disputem vagas na Casa representando São Paulo.

Para viabilizar esse cenário, mudanças partidárias são consideradas. A tendência discutida entre aliados é que Marina deixe a Rede Sustentabilidade e se filie ao Partido dos Trabalhadores. Já Tebet poderia sair do MDB e migrar para o PSB.

No caso da ministra do Planejamento, seria necessário também transferir o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo.

Conversas com Lula

A hipótese de Haddad concorrer ao governo paulista ganhou força nas últimas semanas após conversas diretas com Lula. No fim de fevereiro, os dois participaram de um jantar para discutir o futuro político do ministro. Antes disso, também tiveram um encontro reservado durante um café em São Paulo.

Nos bastidores do governo e do PT, o entendimento é que a candidatura vinha sendo construída gradualmente. O presidente do partido, Edinho Silva, já vinha afirmando em reuniões políticas que a disputa em São Paulo estava encaminhada.

Apesar desse cenário, integrantes da equipe de Haddad mantinham dúvidas sobre a decisão final. Essa hesitação diminuiu nas últimas semanas, e hoje a avaliação predominante entre auxiliares é que a candidatura será oficializada.

Resistência inicial do ministro

Até recentemente, Haddad demonstrava resistência à ideia de disputar o governo paulista. Em conversas com aliados, mencionava desgaste após a condução de projetos econômicos no Congresso e o impacto de críticas internas dentro do próprio PT.

A política de austeridade defendida pelo ministro também gerou atritos com setores do partido. Parte da base petista criticou medidas consideradas restritivas do ponto de vista fiscal.

Outro fator mencionado por Haddad era o desejo de retomar atividades acadêmicas após deixar o governo. Aliados relatavam ainda preocupação com o risco de uma nova derrota eleitoral em São Paulo.

Estratégia nacional do governo

No entorno de Lula, no entanto, consolidou-se a avaliação de que a candidatura do ministro seria estratégica para a campanha presidencial. O presidente considera fundamental ter um palanque forte no estado que reúne o maior número de eleitores do país.

Aliados defendem que, no mínimo, um segundo turno na disputa estadual ajudaria a fortalecer a campanha nacional. A presença de um aliado competitivo na corrida ao Palácio dos Bandeirantes garantiria mobilização política em São Paulo até a votação final, marcada para 25 de outubro.

Haddad inicialmente apostava que os resultados das políticas do governo federal poderiam se converter em apoio eleitoral suficiente, sem a necessidade de assumir diretamente a candidatura. O cenário político recente, no entanto, contribuiu para a mudança de avaliação.

Pesquisas eleitorais influenciam decisão

A ascensão do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de opinião foi um dos fatores que levaram Haddad a reconsiderar sua posição. Levantamento do Datafolha divulgado no sábado indica que o parlamentar se aproxima de Lula nas simulações de primeiro turno da eleição presidencial.

No cenário de segundo turno apresentado pelo instituto, Flávio aparece tecnicamente empatado com o presidente. O senador registra 43% das intenções de voto, enquanto Lula tem 46%.

Dentro desse contexto, aliados do governo avaliam que fortalecer a presença eleitoral em São Paulo se tornou ainda mais importante.

Cenário eleitoral no estado

Pesquisas recentes também mostram que Haddad é o nome mais competitivo da esquerda na disputa pelo governo paulista. No levantamento do Datafolha sobre grau de conhecimento dos candidatos, o ministro da Fazenda aparece praticamente empatado com o atual governador, Tarcísio de Freitas.

Segundo o instituto, 50% dos entrevistados afirmam conhecer bem Haddad, enquanto 47% dizem o mesmo sobre Tarcísio. O vice-presidente Geraldo Alckmin é conhecido muito bem por 54% dos eleitores.

Já Simone Tebet, que atualmente representa Mato Grosso do Sul na política nacional, é bem conhecida por 22% dos entrevistados.

No cenário estimulado com cinco candidatos apresentado pela pesquisa, Tarcísio lidera a disputa com 44% das intenções de voto. Haddad aparece em segundo lugar, com 31%.

Na sequência surgem o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, com 5%, o deputado federal Kim Kataguiri, também com 5%, e o comentarista Felipe D’Avila, com 3%.

O quadro eleitoral ainda deve sofrer mudanças até o início oficial da campanha, mas dentro do governo e do PT a expectativa é que Haddad assuma o protagonismo da disputa paulista nas próximas semanas.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://br.freepik.com/imagem-ia-premium/uma-cena-de-uma-pessoa-confiantemente-subindo-a-um-podio-pronta-para-se-apresentar-a-uma-audiencia_320733113.htm

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