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Margens de combustíveis disparam no Brasil e chegam a crescer mais de 100% em 2026

por Plataforma dos Municípios
Margens de combustíveis disparam no Brasil e chegam a crescer mais de 100% em 2024

As margens de lucro de distribuidoras e postos de combustíveis registraram forte alta no Brasil desde o início do ano, acompanhando a escalada dos preços internacionais do petróleo em meio à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Dados do Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo, do Ministério de Minas e Energia, indicam que esse movimento se intensificou nas últimas semanas, em um cenário de volatilidade e incerteza no abastecimento.

A diferença entre o preço de compra e o valor de revenda da gasolina avançou quase 28% desde janeiro. No caso do diesel S-10, mais utilizado por veículos pesados mais novos, o aumento supera 17%. O maior salto, porém, foi observado no diesel S-500, cujo ganho de margem ultrapassou 103% no mesmo período.

Esse avanço ocorre enquanto o governo federal tenta conter a alta dos combustíveis com medidas como redução de impostos e concessão de subsídios, em um contexto de pressão inflacionária e impacto direto sobre o custo de vida.

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Histórico de aumento reforça tendência

O economista Eric Gil Dantas, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais, avalia que o aumento das margens não é recente, mas ganhou intensidade com o cenário internacional instável. Desde janeiro de 2021, segundo ele, a margem do diesel S-500 acumulou alta de 302%, enquanto o diesel S-10 subiu 115% e a gasolina, 90%.

No mesmo intervalo, a inflação oficial medida pelo IBGE ficou em 35%, o que amplia o descompasso entre os custos gerais da economia e os ganhos no setor de combustíveis.

“É algo que já vem ocorrendo, mas o movimento ganhou força em meio à confusão gerada pela guerra”, afirma Dantas. “Quando há tensão e conversas sobre possível desabastecimento [como chegou a ocorrer no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina], o preço final perde relevância para o consumidor, que acaba aceitando valores maiores para não ficar sem o combustível.”

A percepção de risco de escassez tende a alterar o comportamento de consumo, reduzindo a sensibilidade ao preço e favorecendo reajustes mais elevados ao longo da cadeia.

Setor nega oportunismo e cita pressão de custos

Representantes do setor de distribuição rebatem a interpretação de que haja abuso na formação de preços. Um executivo de uma das maiores empresas do país, que preferiu não se identificar, afirma que o aumento das margens reflete, na prática, uma elevação relevante dos custos operacionais.

Entre os fatores citados estão reajustes salariais, encarecimento do frete rodoviário e o impacto do escoamento da safra agrícola, que aumenta a demanda por transporte e pressiona os preços cobrados por caminhoneiros.

Segundo ele, o governo enfrenta dificuldades para lidar com o problema e, ao criticar o setor, tenta desviar o foco das causas estruturais. Na avaliação do executivo, os preços praticados pela Petrobras estariam defasados em cerca de R$ 2,70 por litro no diesel e R$ 1,60 na gasolina, o que indicaria uma tentativa de segurar reajustes por motivos políticos.

Outro representante do segmento afirma que empresas que abastecem redes de postos ampliaram significativamente suas importações, em alguns casos chegando ao dobro do volume habitual. Essa mudança elevou custos, tanto pelo preço mais alto do combustível importado quanto pelo aumento do frete marítimo e da necessidade de capital de giro.

Medidas do governo e fiscalização

A alta simultânea de preços e margens preocupa o governo federal, que vê risco de perda de ეფექტividade nas ações adotadas para reduzir o impacto ao consumidor. Entre as iniciativas recentes estão a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e a criação de uma subvenção para produtores e importadores, com potencial de diminuir o preço em cerca de R$ 0,64 por litro.

Mesmo assim, o avanço observado nas bombas levou o Planalto a acionar a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis para intensificar a fiscalização. O objetivo é coibir práticas consideradas abusivas ou sem justificativa técnica.

Uma operação nacional realizada entre 16 e 20 de março inspecionou 154 agentes econômicos em 12 estados. Ao fim da ação, 11 estabelecimentos foram autuados por indícios de preços abusivos e outros nove acabaram interditados por diferentes irregularidades.

A ofensiva se apoia na Medida Provisória nº 1.340, que ampliou os poderes da agência reguladora. Com as novas regras, empresas que forem condenadas em processo administrativo podem receber multas que variam de R$ 50 mil a R$ 500 milhões, a depender da gravidade da infração e do porte da companhia.

Caso envolvendo grande distribuidora

Entre os episódios recentes, a Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, foi autuada após reajustar o preço do diesel em cerca de R$ 1,06 por litro, enquanto seu custo teria subido apenas R$ 0,03 no período entre fevereiro e março, segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo. A diferença foi considerada um possível indicativo de prática abusiva.

Em resposta, a empresa afirmou que a formação de preços no setor é influenciada por múltiplos fatores. Em nota, destacou que “os preços no setor de combustíveis são resultado de uma dinâmica influenciada por múltiplos fatores, como diferentes fontes de suprimento, incluindo importações, custos logísticos, variações cambiais e condições regionais, em um ambiente de livre concorrência”.

O cenário segue em aberto, com pressão internacional, custos internos elevados e maior vigilância regulatória. No curto prazo, a evolução dos preços dependerá tanto do mercado global quanto da capacidade de intervenção do governo e da resposta dos agentes do setor.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/pessoa-que-passa-o-tempo-no-posto-de-gasolina_43686337.htm

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