A cidade de São Luís será palco, entre os dias 17 e 20 de junho, da segunda edição da MIRA, Mostra de Cinema Documental, iniciativa que reúne produções audiovisuais, atividades formativas e debates dedicados ao protagonismo das mulheres no documentário brasileiro. Com o tema “Todas as águas correm para o mar”, a programação propõe reflexões sobre memória, ancestralidade, identidade e processos de criação, reunindo realizadoras de diferentes regiões do país.
Além das exibições cinematográficas, o evento oferece oficinas, rodas de conversa, mesas de debate e sessões voltadas ao público infantil. A proposta amplia o acesso à cultura e fortalece espaços de formação artística, contribuindo para aproximar diferentes públicos da produção documental nacional.
A curadoria desta edição é assinada por Ingrid Barros, Camila Soares e Edileuza Penha, que organizaram uma programação voltada à valorização das experiências femininas no audiovisual. A iniciativa busca promover o intercâmbio entre cineastas, pesquisadores, estudantes e espectadores interessados na produção documental brasileira.
O conceito que orienta a mostra utiliza a água como símbolo da circulação de conhecimentos, da preservação das memórias e das conexões estabelecidas entre diferentes gerações de mulheres que atuam no cinema.
As atividades serão distribuídas em diferentes espaços culturais de São Luís, tendo como principais sedes o Espaço Cultural Humberto de Maracanã e o Teatro da Cidade, conhecido como Cine Roxy.
Programação reúne cinema, oficinas e espaços de formação
A programação foi organizada para contemplar diferentes formatos de participação do público. As sessões de filmes serão acompanhadas por debates com diretoras e pesquisadoras, permitindo o aprofundamento das discussões propostas pelas obras exibidas.
Entre os destaques está a roda de conversa Cinema Documental no Feminino, que contará com a participação de Antônia Ágape, Safira Moreira e Karol Maia. O encontro aborda experiências de mulheres na construção do documentário brasileiro e os desafios enfrentados ao longo de suas trajetórias.
Outro momento previsto é a mesa Eu Sou Uma Cineasta: Cinema, Memória e Travessia, reunindo Antônia Ágape e Carine Fiúza para discutir preservação da memória, produção audiovisual e representatividade feminina.
Também integra a programação a aula magna Tecendo Imagens, Bordando Memórias: Cinema Negro no Feminino, ministrada por Edileuza Penha. A atividade propõe uma reflexão sobre a produção audiovisual realizada por mulheres negras e sua contribuição para a construção da memória cultural brasileira.
Durante a mostra ocorrerá ainda o lançamento do filme “Aqui não entra luz”, dirigido por Karol Maia.
As atividades formativas incluem oficinas destinadas tanto a profissionais quanto a estudantes e interessados em audiovisual. Entre elas está Cinema Possível: Direção de Fotografia Inventiva, conduzida por Rafaella Gonçalves, além de Onde o Filme Deságua: Redes de Articulação e Cinema de Impacto, com Camila Soares.
Outra oficina prevista é Política da Memória, Imagens e Narrativas Negras, ministrada por Safira Moreira, que aborda a construção de narrativas a partir das experiências negras e da preservação de memórias coletivas.
Atividades também contemplam crianças e valorizam a cultura popular
A programação reserva espaço para o público infantil por meio do Cine Erê, iniciativa voltada à aproximação entre cinema e educação. As sessões buscam incentivar o contato das crianças com produções audiovisuais desde cedo, contribuindo para a formação de novos espectadores.
O encerramento da mostra contará com a exibição do longa-metragem “Cais”, seguida da performance “Mojubá”, apresentada pela artista Correnteza Braba.
Como parte da programação final, será realizado um cortejo conduzido por Mestra Roxa e pelas Caixeiras. A atividade celebra a relação entre cinema, memória, tradição e cultura popular, reforçando a proposta da mostra de integrar diferentes linguagens artísticas.
Antônia Ágape recebe homenagem pela trajetória no audiovisual
A homenageada da segunda edição da MIRA é a cineasta paraibana Antônia Ágape, considerada uma das pioneiras negras do cinema na Paraíba e referência para novas gerações de realizadoras brasileiras.
Ela concluiu sua formação em Cinema Direto por meio da Associação Varan, em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Em 1982, dirigiu o curta-metragem “As Cegas”, obra que permaneceu sem exibição pública por mais de quatro décadas.
O filme voltou a ser conhecido após uma pesquisa desenvolvida pela cineasta e pesquisadora Carine Fiúza sobre a presença de mulheres negras na história do audiovisual brasileiro. A redescoberta transformou a produção em símbolo da preservação da memória e da valorização de trajetórias que permaneceram invisibilizadas durante muitos anos.
Ao reunir filmes, atividades educativas e debates, a MIRA reafirma o papel dos eventos culturais como instrumentos de fortalecimento da produção audiovisual, incentivo à formação de novos públicos e valorização da diversidade presente no cinema documental brasileiro.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/vendo-um-filme-no-drive-in_249294444.htm
