A Natura anunciou uma ampla reformulação de sua governança corporativa, em uma iniciativa que altera a composição de seus principais órgãos de gestão e estabelece as bases para a entrada de um novo investidor. As mudanças incluem a saída dos fundadores do Conselho de Administração, a criação de um conselho consultivo estatutário e a assinatura de um novo acordo entre os acionistas de referência da companhia.
A reorganização foi apresentada como parte de um processo de evolução institucional da empresa, que busca adequar sua estrutura de comando aos desafios de uma nova etapa de crescimento.
Entre as principais medidas está a transferência dos fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos para um novo órgão consultivo. O atual chairman da Natura, Fabio Barbosa, também deixará o Conselho de Administração para integrar essa nova estrutura.
Segundo a companhia, o Conselho Consultivo estatutário terá como principal atribuição acompanhar a trajetória da organização e contribuir para a preservação dos princípios que ajudaram a construir a identidade da marca.
O novo colegiado não terá responsabilidades executivas nem participação direta nas decisões corporativas. Seu papel será exclusivamente consultivo.
Em comunicado ao mercado, a Natura informou que o órgão atuará como “guardião da cultura, dos valores e do legado que definem a essência da companhia”, função que ficará sob responsabilidade dos fundadores e de Fabio Barbosa.
A criação do conselho consultivo representa uma separação formal entre a gestão estratégica dos negócios e a preservação dos elementos culturais que marcaram a história da empresa.
De acordo com a avaliação de Ricardo Knoepfelmacher, o Ricardo K, presidente da RK Partners, o cenário financeiro atual aponta para novos desdobramentos. Ele prevê a ocorrência de, no mínimo, mais dois pedidos de recuperação judicial em breve e sinaliza que cerca de doze unidades adicionais podem seguir a mesma direção ainda neste primeiro trimestre de 2020.
Renovação do Conselho de Administração
Ao mesmo tempo em que cria uma nova instância consultiva, a Natura promove uma renovação completa de seu Conselho de Administração.
A empresa propôs uma composição com mandato de dois anos e indicou Alessandro Carlucci para assumir a presidência do colegiado. Carlucci já participava do conselho na condição de membro independente.
A nova estrutura reúne integrantes que já atuam na companhia e novos nomes que passarão a participar da governança.
Entre os indicados estão Duda Kertesz, João Paulo Ferreira, atual diretor-presidente da empresa, e Alessandro Carlucci.
Também foram incluídos Pedro Villares, Guilherme Passos, Luiz Guerra, Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto.
Com a reformulação, Bruno Rocha e Gilberto Mifano deixarão o Conselho de Administração. Apesar da mudança, Mifano seguirá na liderança do comitê de auditoria e finanças.
De acordo com a Natura, o objetivo é fortalecer a atuação do conselho como órgão voltado à definição e ao acompanhamento das estratégias corporativas, enquanto o conselho consultivo ficará responsável pela preservação dos valores institucionais.
Acionistas firmam novo acordo
As alterações na governança vieram acompanhadas da assinatura de um novo acordo entre os principais grupos acionistas da companhia.
O documento terá duração inicial de dez anos, com possibilidade de renovação por mais uma década. Ele substitui o acordo anterior, que permaneceria em vigor até março de 2026.
Participam do novo compromisso os blocos acionários ligados aos fundadores e a investidores históricos da Natura.
O acordo reúne o Bloco Seabra, representado por Antonio Luiz da Cunha Seabra; o Bloco Leal, representado por Guilherme Peirão Leal; e o Bloco Passos, representado por Pedro Luiz Barreiros Passos.
Também integram a estrutura o Bloco Pinotti, representado por Vinicius Pinotti, e o Bloco Mattos, representado por Maria Heli Dalla Colletta de Mattos.
Segundo a empresa, o novo acordo não altera as participações acionárias atualmente detidas pelos grupos. A intenção é consolidar um compromisso de longo prazo em relação ao desenvolvimento da companhia.
Advent negocia participação na empresa
Outro elemento relevante da reestruturação envolve a possível entrada de um novo investidor na base acionária da Natura.
A companhia firmou um compromisso vinculante com o fundo Lotus, administrado pela Advent International, para a aquisição de uma participação minoritária no capital social.
O acordo prevê a compra de ações no mercado secundário ao longo de até seis meses. A meta estabelecida é que a participação da gestora fique entre 8% e 10% da empresa, considerando um preço-alvo médio de R$ 9,75 por ação.
Caso a Advent alcance pelo menos 8% de participação, passará a ter o direito de indicar dois membros para o Conselho de Administração e integrar comitês de assessoramento.
Nesse cenário, a estrutura do conselho poderá ser ampliada para até dez integrantes, reunindo representantes dos acionistas de referência, membros independentes e indicados pelo novo investidor.
Para a Natura, as mudanças anunciadas fazem parte de um processo de fortalecimento institucional voltado à próxima fase de sua trajetória corporativa.
“A celebração do novo acordo reafirma o compromisso dos acionistas com o futuro da Natura e com a continuidade do projeto empresarial”, afirmou a companhia, por meio de comunicado ao mercado.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/conceito-de-sala-de-reunioes-de-escritorio-de-comunicacao-de-pessoas-de-negocios_2691893.htm
