O carnaval de rua do Rio de Janeiro ganha novos sons, propostas e públicos em 2026. Entre os 462 blocos autorizados pela Empresa Municipal de Turismo do Rio (Riotur) para desfilar neste ano, 35 farão a estreia oficial nas ruas da cidade. O número faz parte de um cenário de crescimento contínuo: foram 803 blocos inscritos, recorde histórico, e a expectativa é de que cerca de 6 milhões de pessoas, entre moradores e turistas, participem da folia em ruas, praças e avenidas de todas as regiões.
Um dos blocos que passam a integrar oficialmente a programação é o Forró da Taylor. O grupo surgiu em outubro de 2017, a partir de encontros informais entre amigos músicos. O fundador, Igor Conde, relembra que a iniciativa começou quando ele dividia casa com dois sanfoneiros na Rua Taylor, em Santa Teresa.
A ideia inicial era simples: reunir amigos aos domingos para tocar forró de maneira descontraída. Com o tempo, a roda cresceu, virou evento e passou a atrair cerca de 1,5 mil pessoas para a Praça Glauce Rocha, nas proximidades da rua onde tudo começou. A partir daí, o grupo passou a descer Santa Teresa em cortejo, chamando a atenção de moradores e foliões.
Foi desse movimento que nasceu o Cortaylor, cortejo do Forró da Taylor, que começou a desfilar no carnaval em 2022, ainda de forma não oficial, pelas ladeiras de Santa Teresa. No ano seguinte, a apresentação aconteceu no Aterro do Flamengo, já com público maior e estrutura ampliada.
“Este ano, para a gente poder oficializar o bloco, temos que fazê-lo parado, no palco. Será no Largo de São Francisco, no centro, no Sábado de Carnaval (14), a partir das 8h”, conta Igor, que canta e toca zabumba ao lado de mais seis músicos.
O repertório do Forró da Taylor foi se transformando ao longo do tempo. Além dos clássicos do forró, o grupo incorporou músicas de carnaval e sucessos do pop brasileiro e internacional, sempre adaptados ao ritmo nordestino.
“A gente toca os maiores sucessos do Brasil e internacional em ritmo de forró pé de serra. Nosso jeito de tocar músicas de sucesso em formato de forró é irreverente. A gente chama de um novo gênero musical, de forró xucado, meio bagunçado, carioca”, diz Igor.
Blocos fora do circuito oficial
Além das estreias autorizadas pela Riotur, o carnaval carioca também conta com blocos que optam por desfilar fora do circuito oficial. É o caso do Treme Treme, criado pela percussionista e produtora Gabi Assis. A proposta mistura pagode baiano e funk carioca, com foco em dança e performance.
“A ideia é fazer todo mundo dançar. O nome é provocativo, o Treme Treme vem do rebolar, do verão, do carnaval. O repertório é pensado em músicas dançantes. Nosso bloco também é conhecido pelas coreografias. A gente tem um corpo de baile formado por bailarinos profissionais, que faz a linha de frente com uma performance”, conta Gabi.
O Treme Treme começou a ser organizado em 2024. A intenção inicial era desfilar em 2025, mas o plano precisou ser adiado. Os ensaios tiveram início em junho de 2025, geralmente na Praça da Harmonia, na Saúde. Ao todo, o bloco reúne 25 integrantes, entre músicos e dançarinos.
“Vamos desfilar em cortejo dia 7 de fevereiro a partir das 16h. O local será ou na região portuária ou na Prainha da Glória, no Posto 0, no Aterro do Flamengo”, acrescenta.
Outro exemplo de bloco fora do roteiro oficial é o Alto Astral. O fundador, Thadeu Marinho, explica que o grupo se define como uma manifestação cultural independente, com foco em músicas que transmitam leveza e alegria.
“São músicas felizes, como Acordei Feliz, do Charlie Brown, Final Feliz, do Jorge Vercilo. A gente também tem perna de pau, apresentações circenses. Somos 60 integrantes”, diz.
Os ensaios do Alto Astral começaram em outubro de 2025 e acontecem nos fins de semana, no Aterro do Flamengo, entre 14h e 15h. Para este carnaval, a escolha foi por uma apresentação parada, sem cortejo.
“A gente vai tocar parado este ano. O local da apresentação será divulgado na véspera para não encher demais. Será no sábado de carnaval, dia 14”, afirma Thadeu.
Essa não é a primeira experiência do fundador com blocos carnavalescos. Em anos anteriores, ele também criou o Nova Bad, um bloco que tocava apenas músicas tristes. Apesar da proposta inusitada, o projeto foi encerrado depois de crescer demais e atrair público além do esperado.
Fonte: Agência Brasil
Foto: https://br.freepik.com/imagem-ia-premium/brazilian-carnival-masks_134073314.htm
