O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou pela primeira vez o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição para reduzir a sobra de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) e evitar riscos à operação elétrica. A medida foi executada entre 10h e 14h deste domingo e resultou na redução de 1.000 megawatts (MW) de geração.
Segundo o operador, a ação ocorreu em um cenário marcado pela elevada produção de energia proveniente da micro e da mini geração distribuída, especialmente por meio de sistemas solares instalados em residências, comércios e propriedades rurais. Ao mesmo tempo, a demanda por eletricidade estava reduzida devido ao feriado prolongado, período em que atividades industriais e comerciais costumam registrar menor consumo.
O objetivo da iniciativa foi corrigir o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de energia, situação que pode comprometer a estabilidade do sistema elétrico quando há geração excessiva sem consumo correspondente.
De acordo com o ONS, a operação foi considerada bem-sucedida. Para alcançar o resultado, distribuidoras de energia diminuíram a geração de usinas conectadas às suas áreas de concessão, enquanto o operador adotou medidas complementares para reduzir o volume de energia disponível na rede.
“ONS manteve os agentes atualizados e coordenou as ações no SIN, realizando a gestão dos recursos disponíveis de acordo com a demanda da sociedade, em comunicação direta com os agentes do setor”, informou o operador em nota.
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) informou que as distribuidoras seguiram os parâmetros definidos pelo ONS para realizar os cortes temporários nas usinas conectadas às redes de distribuição.
A entidade acrescentou que ainda realizará uma avaliação técnica do acionamento e divulgará posteriormente os impactos e os resultados observados com a aplicação do plano emergencial.
A Renova também anunciou seu novo bloco de controle após a Cemig GT, da Cemig, vender sua participação para um fundo da Angra Partners. Gerida por Alberto Guth, a assessoria financeira administra cerca de R$ 1,5 bilhão em ativos.
Medida foi criada após identificação de risco no sistema
O Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição foi desenvolvido em 2024 após o setor elétrico identificar situações que poderiam comprometer a segurança da operação nacional.
O crescimento acelerado das fontes renováveis, principalmente da energia solar, ampliou a capacidade de geração distribuída em diversas regiões do país. Em determinados momentos, especialmente durante fins de semana e feriados, a produção pode superar significativamente a demanda, criando desafios para o equilíbrio do sistema.
A iniciativa estabelece protocolos específicos para limitar parte da geração quando necessário e evitar situações de instabilidade causadas pelo excesso de energia disponível na rede.
O foco do plano está nas chamadas usinas Tipo III. Essa categoria reúne empreendimentos como pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e usinas movidas a biomassa. Embora essas unidades não estejam diretamente sob o controle operacional do ONS, elas exercem influência sobre o funcionamento e o equilíbrio do sistema elétrico nacional.
Episódios recentes aumentaram preocupação do setor
A criação do plano ocorreu após eventos que evidenciaram o risco crescente de desequilíbrio entre geração e consumo de energia.
Durante 2025, duas ocorrências chamaram a atenção de especialistas e agentes do mercado. Em ambos os casos, os episódios aconteceram em domingos, quando o consumo costuma ser menor por causa da redução das atividades econômicas.
Um dos registros ocorreu em 10 de agosto. Na ocasião, a geração solar representou 37,6% de toda a demanda nacional de energia elétrica. O cenário obrigou o ONS a promover ajustes relevantes na operação.
Entre as medidas adotadas naquele momento estiveram a redução da geração em usinas hidrelétricas e termelétricas, além de cortes determinados em grandes parques eólicos e solares para manter a segurança do sistema.
Os episódios reforçaram a necessidade de mecanismos capazes de responder rapidamente a situações de excesso de geração, especialmente diante da expansão contínua das fontes renováveis no Brasil.
Regras da Aneel definem como os cortes devem ocorrer
As regras que disciplinam a execução do plano foram estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Atualmente, 12 distribuidoras estão autorizadas a realizar os cortes previstos na regulamentação.
Essas empresas concentram aproximadamente 80% da capacidade instalada das usinas classificadas como Tipo III em território nacional. A expectativa do setor é que novas distribuidoras sejam incluídas em uma segunda etapa de implementação da medida.
A regulamentação também prevê mecanismos de acompanhamento e fiscalização. Após cada acionamento do plano, o ONS deverá encaminhar à Aneel, em até 30 dias, um relatório técnico detalhado apresentando as condições que motivaram a adoção da medida e os resultados obtidos durante a operação.
Com o primeiro acionamento realizado, o setor elétrico passa a contar com um teste prático de um instrumento criado para enfrentar os desafios decorrentes do crescimento das fontes renováveis e da necessidade de manter o equilíbrio permanente entre geração e consumo de energia no país.
Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/imagem-ia-premium/energia-e-futuro-planta-de-celulas-solares-e-geradores-eolicos-sob-o-ceu-azul-no-por-do-sol-generative-ai_158107511.htm
