Produtoras mineiras lucram com lives na pandemia

Produtoras mineiras se beneficiam deste momento de crise mundial em função da pandemia de Covid-19

Com o isolamento social diante da pandemia do novo coronavírus, o setor de cultura tem colocado no ar inúmeras transmissões ao vivo com músicos e empresas do mercado audiovisual. Com isso, produtoras mineirastêm obtido um lucro inesperado, enquanto outras áreas culturais sofrem os efeitos da crise econômica.

As lives das produtoras mineiras

Desde março, as lives (apresentações ao vivo transmitidas pela internet) se tornaram uma febre no país. Por um lado, elas geram o lazer às pessoas confinadas em casa e por outro, a oportunidade dos músicos não perderem contato com seus fãs e ainda conseguirem doações de seu público enquanto tocam seus repertórios.

As lives do setor de audiovisual reúnem artistas, teatros e a indústria de cinema, além de instituições de ensino e outros setores. Todos eles acabam recorrendo às produtoras de vídeo em busca de transmissões ao vivo de qualidade.

Entre as produtoras mineiras que tem gerado lucro está a Castelo Multimídia, do diretor Gabriel Netto, que atua com transmissões ao vivo há sete anos. Ele afirmou ao jornal Estado de Minas que o mercado se fortaleceu nos últimos dois anos:

“Com a chegada da pandemia, tivemos um crescimento assustador.”

Antes, a empresa produzia uma live por mês, e agora são uma ou duas por semana.

Satisfação dos clientes

Em relação à qualidade entregue, o músico gospel Giesley Mota contratou a Castelo Multimídia, e segundo ele, a live bem produzida faz toda a diferença neste momento de forte concorrência pela atenção dos internautas:

“Nós, artistas, precisamos continuar em contato com o público, mas de maneira profissional.”

A partir de um estúdio em Belo Horizonte, o cantor paulista garantiu um feedback positivo de seus fãs:

“O custo/benefício é muito interessante. O investimento varia de acordo com a demanda do artista, mas é possível fazer uma transmissão profissional gastando, em média, R$ 7 mil. Minha transmissão foi perfeita. Teve tudo de que um ao vivo necessita.”

Início do isolamento

No início da quarentena, Gabriel disse que tiveram muitos cancelamentos e havia funcionários com gravações no Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e Pernambuco. Aos poucos, reverteu a situação ao evitar o cancelamento da cobertura de um evento presencial o transformando em um seminário online:

“O cliente ficou tão satisfeito com o resultado que o congresso do próximo ano vai repetir o formato. A partir dali, começaram a chover telefonemas.”

Além disso, aos poucos as receitas perdidas foram recuperadas. Hoje, a empresa oferece pacote completo de live, com cinegrafistas, iluminação e transmissão seguindo os pré-requisitos técnicos e finaliza:

“Consegui atrair para as lives clientes que não atuavam com transmissão ao vivo.”

Outras equipes mineiras

Para o diretor da DHL Produções, Douglas Lopes, o crescimento do mercado de lives o surpreendeu:

“Mesmo com o surgimento de outras empresas oferecendo o serviço, nossa demanda aumentou 60% depois do isolamento social. Em alguns dias, temos de reservar horário só para responder a todos os pedidos de orçamento”, informa.

Ele atua no meio há 20 anos e produz transmissões ao vivo desde 2008 e com a pandemia aumentou o número de equipes de duas para três, com “equipamento de ponta”.

Entre os últimos projetos, a DHL participou do que contava com o cantor Dinho Ouro Preto, da banda Capital Inicial. Ao final da live, Dinho foi se inteirar como eram realizadas as transmissões.

Desde o isolamento social as empresas: Cine Theatro Brasil, Google, Sou BH, Sympla e Grupo Kroton já solicitaram lives à DHL. A produtora mineira faz transmissões ao vivo remotas ou presenciais, oferecendo planos entre R$ 2,5 mil a R$ 17 mil.

Crescimento

Com quase dez anos de mercado, a produtora de BH Samba Tech oferece infraestrutura para produção, venda, distribuição, gerenciamento e armazenamento de conteúdos em vídeo. Com a pandemia, a receita dobrou, afirma o diretor comercial, Mateus Magno.

Artistas e organizações ligados ao setor cultural querem ter as próprias plataformas de transmissão ao vivo, revela Mateus:

“Semanalmente, a gente tem falado com cinco a sete clientes interessados em lives voltadas para entretenimento.”

A demanda vem de cinemas, teatros, cantores e duplas sertanejas, e de patrocinadores que buscam lançar artistas.

Lucro em tempos de pandemia

A procura por uma produção de qualidade nas lives tem a ver com artistas e empresas que apostam neste tipo de negócio a fim de maximizar a receita durante o isolamento social. Além disso, a política do YouTube, por exemplo que permite transmissões apenas a canais com mais de 1 mil inscritos, colaboram para o aumento da procura.

Já o investimento varia conforme o número de visualizações e o tempo de transmissão, preestabelecidos no contrato. Os planos vão de R$ 3 mil a R$ 100 mil mensais. A Samba Tech oferece canal personalizado e equipes de produção de conteúdo, equipamentos de gravação e armazenamento das lives na plataforma após a transmissão.

EPIs de segurança

Para o sucesso das lives das produtoras mineiras na pandemia, as próprias informam que, durante o trabalho, adotam as medidas das autoridades de saúde. Nas transmissões ao vivo com cantores em estúdio fechado, a Castelo Multimídia fornece máscaras e álcool em gel à equipe e também leva o mínimo de profissionais para evitar aglomerações, diz Gabriel.

Já o diretor da DHL Produções, Douglas Lopes, adiciona às regras o costume de desinfetar equipamentos depois das gravações externas com “álcool em gel cirúrgico”.  E as equipes presenciais foram reduzidas de cinco para dois profissionais.

Fonte: jornal Estado de Minas

*Foto: Acervo Pessoal