O Governo de São Paulo fechou uma cooperação com o Education Lab for Latin America (Ella), ligado à Faculdade de Educação de Harvard, para desenvolver ações voltadas à melhoria do desempenho dos estudantes em língua portuguesa e matemática. A iniciativa, anunciada na última terça-feira (18), integra um pacote de medidas da Seduc-SP (Secretaria de Educação de São Paulo) que busca reverter os resultados considerados insatisfatórios nos principais indicadores de aprendizagem.
Como funcionará a parceria com Harvard
O acordo de cooperação técnica estabelece que o Ella conduzirá análises, estudos e formulações de projetos para apoiar a política educacional paulista. Para viabilizar o trabalho, um comitê será responsável por definir estratégias e orientar as ações do programa. Segundo a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), esse grupo acompanhará cada etapa e avaliará os impactos das iniciativas desenvolvidas.
Além de Harvard, a parceria conta com o apoio da Associação Parceiros da Educação, organização do terceiro setor que atua em 740 escolas públicas do estado e em municípios paulistas. A entidade já participa de outros programas voltados à gestão e ao apoio pedagógico e, agora, contribuirá na implementação das ações previstas no acordo.
Medidas já adotadas pela Seduc-SP
A secretaria afirma que a colaboração com Harvard se soma a um conjunto de políticas em andamento. Entre elas, estão o programa de monitores para reforço escolar e o aumento da carga horária, que agora inclui educação financeira e redação no Currículo Paulista. De acordo com a pasta, essas ações buscam ampliar o tempo de aprendizagem e oferecer suporte pedagógico mais individualizado.
Além disso, o governo concluiu recentemente a aplicação do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e planeja realizar ainda neste mês as provas do Saresp, voltadas exclusivamente às escolas estaduais. Esses resultados, de acordo com a Seduc-SP, serão usados para orientar programas e intervenções.
Desempenho de SP recua no Ideb
Os resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) divulgados neste ano mostraram queda no desempenho do ensino médio paulista. Em 2019, São Paulo tinha média 4,3; em 2021, avançou para 4,4; mas, em 2023, caiu para 4,2 — nível inferior ao registrado antes da pandemia de covid-19. O indicador varia de zero a dez.
Enquanto isso, a média nacional das redes estaduais apresentou leve recuperação. O país registrou média de 3,9 em 2019 e 2021, chegando a 4,1 em 2023. Assim, o recuo paulista contraria a tendência verificada no conjunto dos estados.
Discussões sobre uso do Provão Paulista
Paralelamente às medidas anunciadas, um estudo da Repu (Rede Escola Pública e Universidade) revelou que o governo paulista pretende utilizar os resultados do Provão Paulista para avaliar o desempenho das escolas. Segundo a pesquisa, a administração avaliaria inclusive penalizar diretores, afastando-os dos cargos caso não apresentem melhora nos índices das unidades.
Essa possibilidade gerou debate entre especialistas e gestores escolares. Eles afirmam que avaliações externas ajudam no monitoramento da aprendizagem, mas não devem ser o único critério de desempenho, já que fatores socioeconômicos influenciam diretamente os resultados dos alunos.
Posicionamento da Secretaria de Educação
Procurada, a Seduc afirmou que trabalha com “referências consistentes e tecnicamente validadas para o acompanhamento do desempenho do estudante”. A secretaria também declarou que nenhum profissional é afastado exclusivamente com base nas notas de avaliações externas. Segundo o órgão, decisões administrativas consideram um conjunto mais amplo de critérios, não apenas o desempenho das provas.
Expectativas para os próximos meses
Com a parceria firmada, o governo espera obter diagnósticos mais detalhados da rede e desenvolver projetos de impacto mensurável. Embora o termo de cooperação não detalhe prazos específicos, a Seduc afirma que algumas ações poderão ser incorporadas rapidamente a programas já em andamento, especialmente aqueles voltados à recuperação de aprendizagem.
A expectativa é que os primeiros resultados apareçam após as análises iniciais do Ella, que devem mapear lacunas de aprendizagem e identificar práticas eficazes para o contexto paulista. Para a secretaria, esse tipo de estudo poderá orientar políticas mais assertivas e ajudar o estado a recuperar o desempenho perdido nos últimos ciclos do Ideb.
Desafio para melhorar os indicadores
Apesar da colaboração internacional e das iniciativas recentes, especialistas apontam que o desafio de elevar o desempenho escolar em São Paulo exige medidas de longo prazo. Avaliações frequentes, políticas de formação docente e estratégias específicas para estudantes com maior defasagem aparecem entre as prioridades defendidas por pesquisadores.
Ao mesmo tempo, o governo pretende utilizar as informações produzidas pelas avaliações e pelos estudos de Harvard para redesenhar programas e ampliar intervenções pedagógicas. A intenção, segundo a gestão Tarcísio, é criar um ambiente de aprendizagem mais eficiente e garantir que as escolas consigam avançar de forma contínua.
Fonte: Folha de São Paulo
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