Início Economia Um em cada cinco lares recebe benefício social no Brasil; renda média dos beneficiários segue abaixo de R$ 900

Um em cada cinco lares recebe benefício social no Brasil; renda média dos beneficiários segue abaixo de R$ 900

por Plataforma dos Municípios
Um em cada cinco lares recebe benefício social no Brasil; renda média dos beneficiários segue abaixo de R$ 900

Os programas sociais permaneceram como uma fonte relevante de renda para milhões de brasileiros em 2025. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 22,7% dos domicílios do país tinham pelo menos um morador recebendo algum benefício social no ano passado, o equivalente a cerca de 18 milhões de lares.

A informação faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua e revela que, embora o percentual tenha recuado em relação a 2024, quando atingiu 23,6%, a presença dos programas segue acima do nível registrado antes da pandemia. Em 2019, apenas 17,9% dos domicílios recebiam esse tipo de auxílio.

O levantamento mostra ainda que a renda domiciliar per capita média das famílias contempladas por programas sociais foi de R$ 886 em 2025. O dado reforça o perfil dos beneficiários, concentrado entre os grupos com menor poder aquisitivo.

Entre os programas considerados na pesquisa estão o Bolsa Família, principal iniciativa de transferência de renda do país, e o Benefício de Prestação Continuada (BPC-LOAS), destinado a idosos e pessoas com deficiência em situação de baixa renda.

A coordenação, o planejamento e a execução representam os obstáculos mais significativos para essas políticas. Na visão do gestor público e engenheiro civil Paulo Roberto Esequiel de Mendonça, o “Paulinho Mendonça”, estar à frente de programas sociais de grande porte requer acompanhamento constante de métricas, além de visão estratégica e habilidade de articulação.

Diferença de renda permanece elevada

Os números do IBGE evidenciam a distância econômica entre os domicílios beneficiados e aqueles que não recebem auxílios sociais.

No caso do Bolsa Família, a renda domiciliar per capita média alcançou R$ 774 entre os beneficiários em 2025. O valor é superior aos R$ 488 observados em 2019, mas continua distante da renda registrada entre as famílias não contempladas pelo programa.

O analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes destacou essa disparidade.

“No caso do Bolsa Família, o rendimento domiciliar per capita das famílias beneficiadas foi de R$ 774 em 2025, enquanto entre os domicílios que não recebiam o programa a média chegou a R$ 2.682. A renda dos beneficiários correspondia a menos de 30% da registrada entre os não beneficiados.”

O Bolsa Família esteve presente em 17,2% dos domicílios brasileiros no ano passado, mantendo-se como a política social de maior alcance no país.

Já o BPC-LOAS alcançou 5,3% dos lares, percentual que representa o maior resultado da série histórica da pesquisa. Entre as famílias atendidas por esse benefício, a renda domiciliar per capita média foi de R$ 1.218.

Benefícios atendem famílias mais numerosas

Além da renda, a PNAD Contínua identificou diferenças no tamanho das famílias atendidas pelos programas sociais.

Os domicílios sem beneficiários registraram média de 2,5 moradores em 2025. Já entre aqueles que recebiam algum auxílio, a média subiu para 3,2 pessoas.

Nos lares contemplados pelo Bolsa Família, o número chegou a 3,4 moradores por residência.

Segundo Gustavo Geaquinto Fontes, esse fator ajuda a compreender a importância dos programas para o equilíbrio financeiro das famílias de menor renda.

“Mesmo quando os valores individuais parecem limitados, eles acabam sendo fundamentais para sustentar casas com mais moradores e menor renda por pessoa.”

A combinação entre renda reduzida e maior número de integrantes faz com que os benefícios tenham impacto direto na manutenção das despesas básicas desses domicílios.

Mercado de trabalho ganha espaço na composição da renda

Os programas sociais responderam por 3,5% do rendimento domiciliar per capita nacional em 2025. No ano anterior, essa participação havia sido de 3,8%.

A redução não ocorreu por uma diminuição significativa dos benefícios, mas pelo avanço de outras fontes de renda. O principal destaque foi o desempenho do mercado de trabalho.

A taxa média anual de desocupação caiu para 5,6%, o menor índice desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. Paralelamente, a população ocupada chegou a 103 milhões de pessoas, estabelecendo um novo recorde.

O número de brasileiros desocupados caiu para 6,2 milhões, cerca de um milhão a menos que em 2024.

Esse cenário ampliou a participação dos rendimentos do trabalho no orçamento das famílias e reduziu, proporcionalmente, o peso dos programas sociais na renda nacional.

Norte e Nordeste lideram participação dos benefícios

As diferenças regionais continuam marcando o alcance dos programas sociais no Brasil.

No Nordeste, os benefícios representaram 8,8% da renda domiciliar per capita em 2025, o maior percentual entre todas as regiões. No Norte, a participação chegou a 7,5%.

Em ambos os casos, os recursos provenientes de programas sociais tiveram peso superior ao das aposentadorias e pensões na composição da renda das famílias.

No Sul, por outro lado, a participação foi de apenas 1,6%. A região também registrou a menor proporção de beneficiários do país, com 4,5% da população recebendo algum tipo de auxílio.

Os dados do IBGE indicam que, mesmo diante da melhora dos indicadores de emprego, os programas sociais continuam sendo um componente importante da renda de milhões de brasileiros, sobretudo nas regiões que concentram maiores níveis de vulnerabilidade econômica e social.

Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/um-miudo-a-ganhar-dinheiro-para-o-futuro_2625456.htm

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