Os ventos que atingiram a capital e a região metropolitana de São Paulo na manhã desta quarta-feira (10) transformaram o cenário urbano. As rajadas, que chegaram a 98,1 km/h na Lapa, na Zona Oeste, provocaram apagão em mais de 2 milhões de imóveis, derrubaram 151 árvores, paralisaram o trânsito e levaram ao cancelamento de voos. A força do vento, segundo a Defesa Civil, está associada a um ciclone extratropical formado no Sul do Brasil e que avança em direção ao Sudeste.
Apagão e caos urbano
De acordo com o mapa de monitoramento da Enel, até as 18h45, 2.237.585 clientes estavam sem energia na Grande São Paulo. Somente na capital, o número de imóveis afetados chegou a 1,5 milhão, o equivalente a um quarto dos consumidores da concessionária.
A falta de energia afetou diversos serviços e provocou transtornos generalizados. O Hospital São Paulo, localizado na Vila Clementino, ficou sem luz desde as 22h da véspera, obrigando o reagendamento de consultas. Em nota, a concessionária informou que as fortes rajadas, aliadas à queda de galhos e árvores sobre a rede elétrica, prejudicaram o fornecimento e que equipes estavam mobilizadas para restabelecer o serviço.
A Secretaria Municipal das Subprefeituras registrou 151 árvores caídas em diferentes regiões da cidade. Os bairros mais afetados foram Pinheiros, Sumaré e Mooca, além da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, importante corredor de tráfego na Zona Sul. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) contabilizou 138 semáforos apagados por falta de energia, 14 com falhas e 6 em amarelo piscante.
O resultado foi um trânsito travado. Às 18h, a lentidão na capital somava 903 quilômetros. No dia anterior, a cidade havia registrado o recorde de congestionamento de 2025, com 1.486 quilômetros de filas, impulsionado pela chuva e pela paralisação de parte do transporte coletivo.
Feridos e danos
A Defesa Civil confirmou quatro pessoas feridas levemente por quedas de árvores e galhos. As ocorrências foram registradas em diferentes regiões: um motociclista em Cachoeirinha, uma funcionária de escola em Santana, um ocupante de carro na Lapa e uma idosa na região da República, no Centro. Nenhum dos casos foi considerado grave.
O órgão também destacou que as rajadas superaram os 80 km/h em diversas estações de medição, como a do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Mirante de Santana, na Zona Norte. A recomendação é para que a população evite áreas arborizadas e preste atenção a estruturas metálicas e fios soltos até que o vento perca intensidade.
Fechamento de parques e impacto na rotina
Com o risco de queda de árvores, mais de dez parques estaduais e municipais foram fechados temporariamente. O governo paulista informou que as unidades permanecerão interditadas até nova avaliação das equipes de segurança ambiental.
Relatos de pedestres e motoristas apontam que boa parte das vias das zonas Oeste e Sul permaneceu às escuras durante o dia, o que agravou o caos no trânsito. A escuridão também dificultou o trabalho de equipes de poda e de manutenção da rede elétrica.
A Enel afirmou que a ventania, provocada pelo avanço do ciclone extratropical, atingiu especialmente os circuitos aéreos de média tensão, derrubando fiações em várias localidades. Segundo a empresa, os reparos ocorrem de forma gradual, priorizando hospitais, escolas e serviços essenciais.
Prefeito cobra explicações da Enel
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) declarou à GloboNews que acionará a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério Público para reavaliar o contrato de concessão da Enel em São Paulo. A medida repete ações adotadas após os apagões registrados desde novembro de 2023, quando a cidade enfrentou longos períodos sem fornecimento.
“Vamos exigir que as providências sejam tomadas. A população não pode continuar passando por isso”, afirmou Nunes. A administração municipal também reforçou o pedido para que as equipes da concessionária atuem em conjunto com a Defesa Civil e a Subprefeitura de cada região.
Voos cancelados e redirecionamentos
Os ventos também impactaram o transporte aéreo. No Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul, 167 voos foram cancelados até as 19h — 80 chegadas e 87 partidas — segundo a concessionária Aena. Passageiros relataram longas filas e atrasos nas remarcações.
Em Guarulhos, o Aeroporto Internacional de São Paulo registrou 31 voos de chegada alternados para outros destinos por causa das condições meteorológicas. A GRU Airport informou que as operações foram retomadas gradualmente no fim da tarde, com prioridade para pousos que haviam sido desviados.
Com a previsão de mais rajadas nas próximas horas, a Defesa Civil mantém o alerta. As equipes continuam monitorando áreas de risco e prestando apoio a quem ainda enfrenta os efeitos da ventania.
Fonte: G1
Foto: https://br.freepik.com/fotos-premium/rua-da-cidade-ao-por-do-sol_100391381.htm
