Aves marinhas podem ser avistadas no Arquipélago dos Alcatrazes

Passeio de um dia fica localizado no litoral norte de SP e reúne em torno de dez mil aves marinhas; o passeio ainda inclui mergulhar na região

Situado no litoral norte de São Paulo, o Arquipélago dos Alcatrazes agora promove outro espetáculo: a observação de aves marinhas. E é justamente esta contemplação que fascina o pequeno Matheus Souza Lima, de 10 anos, que aguardava atento a chance de fotografar os pássaros, que fica exatamente a 40 km de Ilhabela.

No fim de outubro, Matheus integrou um grupo de quase 20 pessoas que dividem a paixão pelo “birdwachting” (avistamento de pássaros, em tradução livre), a bordo de um barco rumo a Alcatrazes.

O menino ainda afirmou à Folha de S. Paulo:

“Depois que fotografo uma ave, acesso a internet com a ajuda do meu pai para tentar descobrir a espécie que registrei.”

Arquipélago dos Alcatrazes

Com o interesse de outras pessoas por este tipo de passeio, o governo federal rebatizou o local de Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago dos Alcatrazes, e abriu as portas ao público no início deste mês.

A partir de agora, companhias de turismo do litoral norte paulista, credenciadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), poderão promover passeios embarcados para o avistamento de diversas aves marinhas, entre elas: atobás, fragatas, gaivotas e trinta réis.

Esta é a segunda vez que o local é visitado por turistas, já que ano passado, a ICMBio autorizou o mergulho de flutuação na região, que também pode ser realizado por meio de empresas credenciadas pelo órgão, que gere e fiscaliza o arquipélago.

Passeio

O passeio tem duração de um dia, contando as três de deslocamento de barco entre Ilhabela e o arquipélago de Alcatrazes. Geralmente, os pacotes turísticos incluem almoço (ou lanche) e equipamentos de mergulho. Os preços podem variar de R$ 350 a R$ 650.

Para ter acesso a lista completa de empresas autorizadas a operar em Alcatrazes, basta acessar o site do ICMBio.

No entanto, o acesso às ilhas que constituem o arquipélago permanece proibido, assim como a pesca e ainda a presença de embarcações de recreio dentro do refúgio, conforme explica Mayra Aki Yamazaki Rocha, que é condutora de visitação embarcada do ICMBio. Quem desobedece a medida, pode ter o equipamento de pesca apreendido, ressalta Mayra.

Avistamento de aves marinhas

A autorização da prática de avistamento de aves marinhas animou o setor de turismo de Ilhabela. É o que afirma Pedro Henrique Santos Oliveira, presidente da Associação dos Guias e Monitores Ambientais do município:

“A cidade possui guias experientes neste segmento e os passeios para Alcatrazes irão fomentar o setor e gerar emprego para muitos profissionais.”

Para Sidiney Barboda de Lima, residente de Ilhabela há 30 anos, a permissão para o avistamento de aves marinhas possibilitará que ele exerça ainda mais sua atividade de guia turístico:

“Costumo levar os turistas para observar algumas das 340 espécies de pássaros catalogadas em Ilhabela, como a Jacutinga e o Macuco, que não são vistos na parte que faz frente com o continente”.

Ele revela que muitos turistas o procuram na intenção de observar determinadas espécies e ainda registrar as imagens, pois, segundo Barbosa, muitas dessas aves já sofrem algum risco de extinção.  

Marinha

Antigamente, o Arquipélago dos Alcatrazes, era conhecido como a Galápagos brasileira, e servia de espaço para prática de tiro, realizado pela Marinha. Com isso, os projéteis destruíam os ninhos e afastavam as aves marinhas do local.

Além disso, os exercícios de tiro teriam gerado um incêndio, que durou três dias, na ilha principal, em dezembro de 2004, de acordo com relatos de ambientalistas.

Após décadas de pressão por parte dos ambientalistas, o local se tornou em agosto de 2016, no Refúgio de Vida Silvestre, via decreto federal.

Espécies catalogadas

Hoje, o Arquipélago dos Alcatrazes tem o maior ninhal de aves marinhas das regiões Sul e Sudeste brasileiro e também serve como rota de passagem de várias espécies que pousam ali para descansar. Além disso, a área das ilhas totalizam 67.364 hectares, considerada assim a maior unidade de conservação marinha de proteção integral das regiões Sul e Sudeste e a segunda maior do Brasil.

Mais de 1.300 mil espécies de fauna e flora já foram catalogadas, sendo 93 delas correm algum risco de extinção. E pelo menos 259 espécies de peixes estão protegidas, indicativo que ultrapassa a de Fernando de Noronha.

Fonte: Folha de S. Paulo

*Foto: Reprodução / Jardiel Carvalho – Folhapress