Casarão de 90 anos na rua Pamplona em SP é restaurado e vira café

O prédio que abrigava o Instituto de Física Teórica foi tombado pelo patrimônio histórico e restaurado.

Agora, no local situado no início da rua Pamplona, no famoso bairro dos Jardins, na capital paulista, foi inaugurado um café. A bebida servida ali vem direto da fazenda da família Megale, proprietária do espaço. Já o cardápio é assinado por um chef neozolandês.

O silêncio do lugar até mesmo de dia nos faz voltar ao passado e nem parece que ele se encontra a poucos metros da Avenida Paulista.

História

O casarão que completou 90 anos ficava escondido por um bosque em meio a um terreno de 6,5 mil m². Além disso, nos fundos situam-se diversos prédios altos e modernos, cheios de escritórios, dificultando ainda mais visualizar a antiga edificação do instituto de Física.

O estabelecimento encontra-se dentro da Praça Pamplona. Este foi o lugar escolhido por José Lauro Afonso Megale, o “comendador” Laurinho, para abrir em outubro de 2018 o Zel Café. O empreendimento passou por reforma e conta com restaurante e livraria.

No entanto, a grande atração do café é o próprio Laurinho que gosta bastante de contar como chegou até o local de seu gastrocafé como também é chamado. O “comendador” é dono da fazenda Talismã, onde cria cavalos manga-larga marchador e, claro, cultiva café.

Recentemente, ele afirmou à Folha de S. Paulo:

“Estou com 63 anos, mais perto do fim do que do começo. Não posso esperar, senão não vai dar tempo de fazer tudo o que eu quero”.

A origem de sua família vem do sul de Minas Gerais, onde antes teve uma empresas de transportes de carga. O sobrenome também não nega que seja descendente de italianos.

Por não se identificar com a vida no interior, preferiu trabalhar nos negócios que o pai possuía na capital paulista. Somente quando seu pai ficou doente em 2015, que Megale retornou à fazenda Talismã para cuidar do espaço. Lá só havia criação de bois e ele resolveu cultivar café ao comprar a fazenda vizinha que possuía um cafezal abandonado. Hoje, seu cultivo de 200 mil pés é avaliado entre 83 e 86 pontos, integrando a categoria especial.

Casarão da Pamplona

Após dar certo seu cultivo de café foi natural que o empresário procurasse um lugar para vender seu produto pronto para o consumo. Foi aí que ele chegou até o famoso casarão da rua Pamplona, que foi tombado pelo patrimônio histórico em 1952.

Na mesma entrevista à Folha, ele relembra:

“Vi apenas um senhor e perguntei com quem poderia falar no Instituto de Física”.

Foi então que o presidente do instituto, Gerson Francisco, disse que poderia tratar com ele mesmo. Francisco não perdeu seu cargo após o prédio virar um café e continua exercendo o ofício num moderno edifício ao lado Zel Café. O presidente da instituição consentiu que Laurinho alugasse o imóvel com a promessa de que fora o café, ele também abrigaria no local uma livraria.

Funcionamento

A comida do gastrocafé fica a cargo do chef vindo da Nova Zelândia, Shaun Dowling. Já o comando da livraria está nas mãos das irmãs Carol e Talita Camargo, que possuem vasta experiência neste segmento.

Além disso, o café também promove atividades culturais voltadas tanto para o público infantil como adulto.

Apelido

A curiosidade em torno do apelido de “comendador” vem de quando ele recebeu a comenda Olavo Fontoura do Sindicato da Indústria Farmacêutica. O reconhecimento diz respeito aos serviços que sua empresa transportes prestou ao setor. Segundo o empresário, nós vivemos de sonhos e que quando fazemos algo, devemos fazer bem feito. É exatamente isso que ele ensina aos seus funcionários. Além de ressaltar que é o olho do dono que engorda o gado, mesmo não sendo mais criador de boi.

*Foto: Divulgação