Projeto Baixada Verde identifica pontos turísticos em dez municípios

Projeto vida mapear parques e cachoeiras da região da Baixada Fluminense

Uma trilha em meio a Mata Atlântica apresenta uma rica biodiversidade. Este fator pode ser encontrado na região de Duque de Caxias (RJ), mais precisamente, no Parque Municipal Taquara. No local é possível se deparar com micos-leões-dourados, tucanos e saíras, além de algumas espécies de árvores, como a camboatá.

O lugar integra um dos espaços mapeados pelo projeto Baixada Verde, que visa combater a violência dessa área ao mostrar as belezas da natureza presentes em seu entorno e que podem ser um grande chamariz ao setor de turismo.

Mais de 150 áreas com amplo potencial de natureza preservada foram avaliadas nas dez cidades participantes do projeto.

Título de “paraíso verde”

Desde 2017, há um desejo de reconhecer a Baixada Fluminense como sendo um local de “paraíso verde”. A ideia, na época, partiu de uma reunião do Fórum Estadual de Secretários de Turismo, o Fest-RJ. Com isso, o incentivo foi saindo do papel e recebendo aval do estado, além de empresários e de universidades da região.

De acordo com a vice-presidente do Fest-RJ, Mirian Rodrigues, existem lugares de muita mata nativa, mas que foram deixados de fora. Ela ainda ressalta que os próprios residentes dessa área desconhecem estes locais ou simplesmente não se preocupam em preservá-los. Com isso, um dos motivos do projeto é o de resgatar esta sensação de pertencimento. Além disso, é uma oportunidade de gerar renda e tirar a imagem negativa que a maioria das pessoas tem sobre a Baixada.

Mídias sociais e desafios

No início de junho, o atual governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel postou no Instagram uma foto do Parque Taquara. A imagem gerou grande alcance para o projeto.

O entorno desta área apresenta 43 hectares de floresta, próximo ao município de Santa Cruz da Serra. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Duque de Caxias enfrenta problemas como, por exemplo, o de conscientizar as pessoas que visitam esse local sobre a importância de mantê-lo limpo. No entanto, de acordo com o secretário titular da pasta, Celso do Alba, a região também pode se transformar em uma alternativa de lazer.

Turistas

Neste mês, uma moradora das proximidades, Evelin Vitória, levou parentes e amigos de São Paulo para passearem no Poço da Baleia. O local é considerado o de acesso mais fácil nesta área. Segundo o primo de Vitória, Joconias Santos, ele nunca imaginou conhecer um lugar tão bonito e de se banhar em uma cachoeira. E o melhor de tudo, que é perto da cidade onde reside a prima.

Guardião

O paraíso citado por Jaconias possui um guardião há dez anos. Trata-se do aposentado e biólogo baiano, Valdeque Cândido Rocha. Ele mudou-se para o parque logo que se aposentou e ressalta que herdou os conhecimentos da mata com seu pai que exercia o ofício, além dos ensinamentos conquistados na faculdade de biologia que cursou já em idade avançada.

O senhor de 72 anos considera o local como seu lar e explica que um dos pontos mais altos do lugar encontra-se no Poço da Serpente. Lá a água que cai com tamanha velocidade forma um escorregador por onde Valdeque desce sempre e pode voltar a ser criança.

Parcerias

A viabilização do projeto conta com a parceria do curso de turismo da Universidade Federal Rural Fluminense (UFRRJ). A ideia é unir locais para a realização de esportes radicais, como o Pico da Coragem, em Japeri. Já as áreas de interesse geológico compreende a Serra do Vulcão, em Nova Iguaçu. Já os mirantes, estão situados no Morro do Pau Branco, no distrito de São João de Meriti.

Em relação as cachoeiras da região de Magé, pode-se destacar a Véu de Noiva, com 110 metros de queda. E já figura entre as mais belas do estado carioca. Isso sem contar a igual beleza da cachoeira de Monjolos, no município de Santo Aleixo.

Reserva Biológica Federal do Tinguá

Na cidade de Nova Iguaçu é revelado outro tesouro de mata atlântica com poço de água transparente, a Reserva Biológica Federal do Tinguá. O lugar possui 26 mil hectares de floresta. No entanto, ela é fechada ao público em geral. Porém, os sítios em seu entorno promovem visitas. Há pessoas que defende que a reserva possa se tornar um parque nacional com menos restrições.

Sendo assim, de acordo com o ambientalista da ONG Onda Verde, Hélio Vanderlei, apenas 5% do lugar seria destinado ao turismo. O restante do parque seria focado em conservação e pesquisa. Com a abertura de parte dele à visitação, muitos jovens poderiam ter a oportunidade de entrar numa floresta, ressalta Vanderlei. Ele ainda diz que acredita no grande potencial do Baixada Verde e que o projeto realmente promova um desenvolvimento desta área.

Segurança do local

Os debates realizados pelos idealizadores do projeto focam na questão de segurança da região. E seria exatamente o turismo uma alternativa para trazer de volta a paz a esta área, que já foi palco de um assassinato em massa praticado por traficantes, em 2012. Na ocasião, seis jovens foram mortos quando se deslocavam até uma cachoeira, situada no Parque do Gericinó, no distrito de Mesquita.

A fase atual do projeto conta com a participação do municípios para que estes apliquem os recursos vindos do Ministério do Turismo.

Fonte: jornal O Globo

*Foto: Divulgação / Agência O Globo – Guilherme Pinto