Paraty tem chances de se tornar Patrimônio Mundial da Unesco

Cidade que pertence ao litoral fluminense concorre ao título pela segunda vez

Desde domingo (30), que o comitê da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) está reunido em Baku (Azerbaijão) para definir quais locais serão contemplados com o título. A cidade de Paraty (RJ) tem chances de se tornar Patrimônio Mundial da Unesco.

Hoje, o país possui 21 menções da Unesco. 14 delas são nomeadas patrimônios culturais, como os centros históricos de Olinda e Salvador. Já sete titulações são de ordem natural, como a Área de Conservação do Pantanal e o Parque Nacional do Iguaçu.

De acordo com os pareceres de assistentes do comitê do órgão, Paraty tem reais chances de integrar esta lista.

Paraty e Ilha Grande

Desta vez a cidade litorânea disputará a competição de patrimônio misto, cultural e natural. Para viabilizar a candidatura, Paraty não participará apenas como cidade histórica, mas também ser reconhecida por sua paisagem. Em função disso, ela incluirá em sua participação toda a região da Baía de Ilha Grande.

Juntas, elas acumulam uma área de 149 mil hectares com quatro áreas preservadas. Duas delas são: Parque Estadual da Ilha Grande e Parque Nacional da Serra da Bocaina. No total a região apresenta 187 ilhas.

Reconhecimento excepcional

De acordo com a presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Kátia Bogéa, conseguir esta menção é o mundo todo voltar a atenção para o lugar escolhido. Mas ela ressalta que também exige responsabilidade do país para continua mantendo e preservando este local. E tudo isso de forma sustentável, sem causar damos ao meio ambiente.

Em 2009, Paraty já havia disputado somente como centro histórico. Por isso acabou perdendo a competição em função da Unesco já ter contemplado muitas cidades coloniais.

Levantamento do Iphan

Segundo estudo do Iphan, a região estado do Rio possui 36 espécies vegetativas denominadas de raras. O local também apresenta forte presença de aves e sapos, assim como de mamíferos. Entre eles, o muriqui e a onça-pintada.

Ainda existem nesta região: 28 comunidades caiçaras, duas terras indígenas e dois territórios quilombolas. O órgão afirma que os primeiros registros de povos nesta área são de 4 mil anos atrás.

Fundação

A cidade de Paraty foi fundada em 1667 e foi uma das zonas portuárias mais importantes do Brasil colonial. Era nela que terminava a rota de escoamento do ouro, vindo de Minas Gerais.

Já seu conjunto arquitetônico foi tombado pelo Iphan em 1958.

Reunião da Unesco

O comitê tem até o dia 10 de julho para definir qual lugar no mundo merecerá o tão aguardado título. Contudo, é aguardada até o próximo fim de semana a confirmação da candidatura de Paraty na disputa, que recebeu indicação em julho de 2018.

A cidade de Ocrida, na Albânia também concorre ao mesmo título.

Perda do reconhecimento

Os patrimônios que não conservarem seus locais podem perder o título concedido pela Unesco. E esta votação também acontecerá em Baku. Os lugares que correm este risco hoje são: as ilhas e áreas protegidas no golfo da Califórnia, no México e as ruínas da Babilônia, no Iraque.

Outros patrimônios mundiais que se encontram no Brasil

Como Patrimônio Cultural: Conjunto Moderno da Pampulha e cidade histórica de Ouro Preto, ambos em Minas Gerais, Parque Nacional da Capivara (PI), paisagens do Rio de Janeiro e Plano Piloto de Brasília (DF).

Já como Patrimônio Natural também figuram: Áreas Protegidas da Amazônia Central e Costa do Descobrimento (BA e ES).

Fonte: Folha de S. Paulo

*Foto: Reprodução/ Maria Libório