Procurador Renan Saad é preso por suspeita de propina no RJ

O procurador do estado do Rio de Janeiro, Renan Miguel Saad foi preso na manhã desta segunda-feira. O cárcere é para cumprir ordem vinda da 7ª Vara Federal Criminal, que é a responsável pelos julgamentos em 1ª instância da Operação Lava Jato no Rio. Renan Saad foi levado por suspeita de propina.

Ele teria recebido um montante de mais de R$ 1,2 milhão da Odebrecht. O motivo seria para modificar o projeto original da construção da linha 4 do metrô, na capital fluminense. Com isso, os custos originais passaram de R$ 3 bilhões para R$ 10 bilhões e, consequentemente, causando prejuízo ao erário.

De acordo com a investigação da Lava Jato, Saad teria facilitado as ações criminosas da organização liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB).

Mandado de prisão

O procurador foi preso em seu apartamento, no bairro de São Conrado, na zona da cidade carioca. Os agentes responsáveis também apreenderam no local, bens do advogado, que foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal.

A prisão do procurador se deve a suspeita de propina praticada durante o período em que ele atuou como assessor jurídico e chefe da Setrans (Secretaria de Estado de Transportes). Nesta época, ele foi nomeado justamente na gestão de Cabral. No entanto, ele foi exonerado do cargo em 2012. Todas estas informações foram apresentadas pelo PGE (Procuradoria geral do Estado).

Segundo comunicado do Ministério Público Federal (MPF), a prisão foi acatada:

“Em razão da necessidade de colheita de depoimentos de pessoas subordinadas a Renan, imprescindíveis para apuração de crime de pertencimento à organização criminosa e de lavagem de dinheiro por intermédio do escritório de advocacia do investigado”.

O MPF verificou em planilha da Odebrecht que o Saad era citado pelo apelido de “Gordinho”. Além disso, Marcos Vidigal do Amaral, ex-diretor de contratos da construtora afirmou em delação premiada que o procurador havia recebido dinheiro por fora, o que pode confirmar a suspeita de propina ligada a seu nome.

Licitação

Para poder alterar o traçado original da linha 4 do metrô do Rio, Saad teria que solicitar uma nova licitação. Contudo, ele se beneficiou do cargo para não cumprir esta exigência. Com isso, ele consentiu que as modificações fossem realizadas sem a necessidade de mais um certame. Além de notoriamente favorecer a empresa Odebrecht neste caso.

Pagamento

Segundo consta na delação, o procurador recebeu a propina por meio do Departamento de Operações Estruturadas da construtora. Este seria o setor responsável por realizar pagamentos deste tipo a seus aliados.

De acordo com tentativas do portal de notícias UOL, nenhuma das partes denunciadas foi encontrada nesta manhã para prestarem esclarecimentos.

Nota da PGE

Em comunicado, a Procuradoria Geral do Estado (PGE), anunciou que:

“Já apura o caso internamente para a adoção das medidas disciplinares cabíveis e que colabora de modo pleno com as investigações do Ministério Público Federal para a apuração dos fatos levantados pela Lava Jato no Rio de Janeiro”.

Fonte: UOL

*Foto: reprodução / Márcia Foletto 01