125 anos do escritor Agripa Vasconcelos: exposição celebra trajetória

Escritor Agripa Vasconcelos é o responsável por obras marcantes da história mineira como Chica da Silva e Dona Beja, que se transformaram em novelas

Na segunda-feira (20), a cidade de Araxá, no Alto Paranaíba (MG), abriu a exposição “Trajetória de Agripa Vasconcelos, o romancista das Gerais”. A abertura aconteceu no Teatro Municipal, realizada pela Fundação Cultural Calmon Barreto, autarquia de cultura do município.

Mostra sobre o escritor Agripa Vasconcelos

A mostra sobre o Agripa Vasconcelos reúne painéis que exalta a memória do romancista em diferentes fases de sua vida. Além disso, Araxá integra o circuito de cidades que comemoram os 125 anos de nascimento do escritor.

Ele nasceu em 12 de abril de 1896, em Matozinhos e é um dos mais celebrados escritores de sua época. Porém, antes, ele se formou médico, e aos 26 anos entrou na Academia Mineira de Letras. Foi lá que o romancista se sentiu mais motivado pela literatura, sua verdadeira paixão.

Antes de chegar a Araxá, a exposição passou por Pompéu, na Região Central de Minas e em Belo Horizonte.

Obras e personagens marcantes do ESCRITOR AGRIPA VASCONCELOS

Por meio da obra “Sagas do País das Gerais”, que relata sete romances históricos, Agripa revelou ao mundo personagens como Chica da Silva, Chico Rei e Dona Beja. Contudo, muitos desses trabalhos foram adaptados para as telas do cinema e da TV. É o caso da obra “A Vida em Flor de Dona Beja” de 1957. O romance conta a história do povoamento de Minas Gerais, adaptado pela extinta Rede Manchete e exibida sob o título de “Dona Beija” (com “i”), em 1986, e protagonizado por Maitê Proença.

Outra história também levada às telinhas foi “Chica que Manda: romance do ciclo do diamante nas Gerais”. A novela “Xica da Silva” de 1996, também produzida pela Rede Manchete sobre a escrava que virou rainha.

Raízes de Dona Beja com Araxá

 Ana Jacinta de São José foi uma cortesã revolucionária do século XIX “amada pelos homens e odiada pelas mulheres”.

Ana nasceu em Formiga, no Centro-Oeste mineiro, em 2 de janeiro de 1800. Ela se mudou para até então vila de São Domingos do Araxá ainda pequena. Foi de seu avô que recebeu o apelido de “Beja”, pois comparava sua beleza e doçura com a flor “beijo” ou à ave beija-flor.

Em 1814, foi raptada pelo ouvidor do rei Dom João VI, Joaquim Inácio Silveira da Motta, e levada para Vila de Paracatu. Porém, na tentativa de impedir o sequestro, ao avô de Beja foi morto pelos homens do ouvidor.

O retorno à cidade

 Entretanto, dois anos depois, Joaquim Inácio volta ao Rio de Janeiro a pedido do rei e Beja decide voltar à Araxá para reencontrar seu grande amor: o fazendeiro Manoel Sampaio (na novela chamado de Antônio). Esse relacionamento contou com idas e vindas.

Assassinato

Apesar de seu amor por Manoel Sampaio, após uma briga, Beja manda um escravo matá-lo. Mas ela se arrependeu tarde demais. Mesmo assim, ela foi absolvida do crime com a ajuda de contatos influentes.

Beja nunca se recuperou deste golpe, e por isso decidiu se mudar para Bagagem (hoje, cidade Estrela do Sul, no Triângulo Mineiro), em 1853. Ana Jacinta faleceu em 20 de dezembro de 1873, e deixou duas filhas.

Museu Dona Beja

Inaugurado em 1965 pelo jornalista Assis Chateaubriand, criador do grupo Diários Associados, o local onde Ana Jacinta de São José viveu em Araxá abriga hoje o museu Dona Beja. O local é casarão colonial de dois pavimentos que conta com quadros, objetos, móveis e adereços utilizados pela cortesã.

O espaço é aberto à visitação de moradores e turistas de terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17h. E aos sábados, domingos e feriados das 8h às 12h.

*Foto: Divulgação