204 anos do Museu Nacional contará com exposição de baleia-cachalote

204 anos do Museu Nacional vai expor o esqueleto do animal, na Cidade das Artes

Para celebrar os 204 anos do Museu Nacional, instituição museológica e de pesquisa mais antiga do país, foi aberta no começo do mês a exposição Que baleia é essa?, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

204 anos do Museu Nacional

Vale recordar que a sede do Museu, no Palácio Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, foi destruído por um incêndio no dia 2 de setembro de 2018.

E um ano após o incêndio o Centro Caixa Cultural expôs peças resgatadas do Museu Nacional.

Sendo assim, a celebração dos 204 anos do Museu Nacional será na Barra, com a exposição de um esqueleto de baleia-cachalote – Physeter macrocephalus – com 15,7 metros de comprimento. E a mostra trará ainda um modelo tátil da baleia em miniatura, além de textos explicativos sobre o exemplar e hábitos da espécie e de outros cetáceos. O objetivo é aproximar o público do Museu Nacional e trabalhar com as escolas a educação ambiental e a biologia, com visitas agendadas.

Curadoria

Já a curadoria da mostra é de Juliana Sayão, que é bióloga e pesquisadora do Museu Nacional, entidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela destaca que a aquisição é fruto da campanha #Recompõe, iniciada em 2021 para ajudar a recompor o acervo do museu, que tem foco na história natural.

“Essa baleia é a primeira peça de grande porte que o museu recebe. A gente monta aqui para que o público já tenha um gostinho do que ele poderá ver quando o museu abrir suas novas exposições. A nossa ideia é que a baleia fique no hall de entrada, ao lado da escada monumental, que é a peça arquitetônica mais icônica do Museu.”

A campanha já arrecadou quase mil peças de cunho expositivo e científico, afirma. A recomposição do acervo vai buscar novas abordagens de pesquisa.

Baleia-cachalote

O esqueleto foi montado no segundo pavimento do foyer da sala de concertos da Cidade das Artes. Trata-se de um macho adulto com aproximadamente 80 toneladas, que encalhou na Praia de Curimãs, na cidade de Barroquinha (CE), em janeiro de 2014, ainda vivo. Porém, não resistiu, sendo enterrado no local.

Já a montagem da exposição foi financiada pelo governo da Alemanha, que aportou 24 mil euros para os cuidados necessários e transporte da ossada. A peça ficará exposta no local pelos próximos dois anos, com visitação às terças e quintas-feiras das 10h às 18h e aos sábados 10h às 16h, mediante agendamento prévio pelo e-mail [email protected].

Emissão de sons

Além disso, a bióloga disse também que a cachalote emite um dos sons mais altos do reino animal. Ele pode chegar a 197 decibéis, e é o maior animal carnívoro que existe hoje, e se alimenta de grandes espécies que podem incluir lulas gigantes e até tubarões. A espécie pode chegar a 20 metros e ficou muito conhecida por causa do livro Moby Dick, do escritor norte-americano Herman Melville.

O biólogo Antônio Carlos Amâncio, que coordenava a ONG que registrou a baleia encontrada junto ao estado do Ceará e foi responsável pela montagem do esqueleto na exposição, explica que o estado de conservação do animal estava muito bom, com 96% da estrutura óssea preservada após a recuperação, feita seis anos após a baleia ter sido enterrada.

Reconstrução do Museu Nacional

Antes da visita à exposição, a diretoria do Museu Nacional atualizou o andamento da reconstrução da instituição, em entrevista coletiva. Segundo o diretor do Museu, Alexander Kellner, até o momento foram arrecadados quase 60% do valor estimado que será necessário para a reconstrução do Palácio, do total de R$ 380 milhões.

“O grande problema é que, para começar as obras, tem que planejar muito, a gente não sai construindo assim. E esse planejamento está enfocado na necessidade – que nós sabemos que teremos – que é de mostrar um museu super bacana, super moderno, com a vertente histórica que queremos preservar. E isso demanda um certo planejamento. Queremos ser um museu de história natural e antropologia com vertente histórica, inclusiva, inovadora, sustentável”.

Kellner explica que o novo acervo foi dividido em quatro vertentes: histórica; meio ambiente; universo; e vida e diversidade cultural. Para montar uma exposição completa, são necessárias em torno de 10 mil peças. Mas, até agora o Museu Nacional conseguiu cerca de mil.

Projeto Museu Nacional Vive

A coordenadora do projeto Museu Nacional Vive, Lúcia Bastos, apresentou o andamento da reconstrução e afirmou que a primeira parte da obra, que abrange a fachada principal e a cobertura do Palácio, será entregue a tempo das comemorações do bicentenário da Independência, em 7 de setembro.

Por fim, ela disse que a Biblioteca está quase pronta, e falta apenas o sistema de ar-condicionado, cujos recursos já foram conseguidos. Sobre o novo campus, para onde será transferida toda a parte de pesquisa do Museu Nacional, a área ainda está passando pelas obras de infraestrutura.  Mas já está em funcionamento no local a parte administrativa, para a qual foi construída um prédio modular provisório.

*Foto: Reprodução/Felipe Cohen