Mercado de etanol exibe melhora sem necessidade de socorro do governo

O mercado de etanol sinaliza fase de melhoras no Brasil. Com isso, não é mais necessário o pacote de ajuda vindo do governo, reivindicado pelo setor sucroalcooleiro, no auge da crise provocada pela Covid-19. A afirmação é do analista do site Safras & Mercado, Mauricio Muruci, no final de maio.

O analista explicou que para isso considerou os preços atuais do etanol nas usinas de cana-de-açúcar e que, portanto, “não vai ter aquela necessidade” de R$ 9 bilhões em financiamentos patrocinados pelo governo para ter de estocar 6 bilhões de litros de etanol, segundo pediram entidades do segmento, entre elas, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

Visão semelhante possui o CEO e sócio da consultoria RK Partners, Ricardo K., que afirma que “hoje os bancos querem conversar” e isso antes da pandemia.

Mercado de etanol atual

Segundo Murici, a operação baseada nos preços atuais do combustível e que seguraria os 6 bilhões de litros em estoques, conhecida como “warrantagem”, seria o equivalente a uma venda de etanol a R$ 1,50 por litro. Além disso, o mercado indica valores mais altos às usinas. Em entrevista à Roberto Samora, do site Nova Cana, ele também disse:

 “Estamos saindo dela (crise) de forma sustentável”, revelou Muruci, ressaltando que não “vai ser uma demanda artificial do governo via estocagem” que vai definir a situação.

“As pessoas estão voltando às suas atividades, a demanda vai voltar. Não vai ser de um dia para o outro, mas não vai ter aquela necessidade de 9 bilhões de reais para estocar 6 bilhões de litros”.

Ele também alertou que o mercado de etanol hidratado está “longe do fundo do poço”.  

“O cenário caótico que se via já não existe mais”, adicionou, explicando que rumores de que as usinas precisariam deixar a cana no campo “parecia um terrorismo de mercado”.

E de fato isso ocorreu, pois desde o fim de abril os preços médios do etanol hidratado nas usinas do Estado de São Paulo estão se recuperando, registrando uma sequência de aumentos apesar do começo da colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país, conforme dados do indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Fonte: Site Noca Cana

*Foto: Reprodução/EPTV