Residentes do Recreio divergem sobre venda de praça

Os residentes do bairro Recreio, no Rio de Janeiro, estão divididos em relação à venda da Praça da Amore, como é popularmente conhecida. O terreno, situado entre as ruas Odilon Martins de Andrade,Antônio Batista Bitencourt e Maurício da Costa Faria, tem sido motivo de divergência entre os moradores da região.

A área é da prefeitura e pertence à Previ-Rio, teve um de seus lotes vendido em dezembro por aproximadamente R$ 2,5 milhões via licitação publicada no Diário Oficial da União. Entretanto, um post nas mídias sociais, realizado em 24 de janeiro, movimentou os moradores do bairro, especialmente quanto um dos internautas afirmou que neste local seria construída uma igreja. A partir daí, a Associação de Moradores do Recreio (Amore) organizou um abaixo-assinado, com a intenção de inviabilizar construções neste terreno.

Dair Zanotelli, vice-presidente da Amore, afirmou ao jornal O Globo que há 14 anos o local é uma praça:

“Os moradores sempre ajudaram a cuidar, plantaram árvores e implementaram melhorias. Ninguém gostou de saber da possibilidade de perdermos essa área de lazer para a construção de uma igreja.”

Já Sancler Mello, superintendente da Barra, Recreio e Vargens, nega a informação de que seria erguido um templo neste espaço, porém afirma que haverá uma obra ali:

“As pessoas falam sem embasamento algum. Ali terá um colégio, e ele não vai ocupar a área do parque.”

Praça no Recreio nunca foi oficializada

No entanto, a presidente da Associação dos Moradores do Recreio dos Bandeirantes (Amor), Simone Kopezynski, afirma que o terreno nunca foi oficializado como uma praça:

“O Recreio tem muitas praças e, infelizmente, a maioria está abandonada e conta só com a Comlurb para fazer a manutenção. Essa praça em questão sempre foi muito complicada. Tinha um senhor que cuidava, mas em compensação, não deixava ninguém usar o espaço. Sempre soubemos que ali não era uma praça e que um dia isso (a venda do terreno) poderia acontecer.”

Estacionamento da prefeitura

A partir de 2012, a prefeitura transformou parte do terreno da Praça da Amore em um estacionamento. Naquele tempo, Tiago Mohamed, então Barra, do Recreio e de Jacarepaguá, afirmou que seriam criadas 322 vagas e que a cobrança seria feira pelo Vaga Certa. Contudo, em setembro de 2019, Sancler Mello encerrou o rotativo, alegando que o espaço era clandestino.

Sobre isso, Dair Zanotelli revela que a decisão não agradou aos comerciantes:

“Eles dizem que o movimento caiu muito e já estão tendo prejuízo por causa da medida. Algumas lojas até fecharam. O nosso abaixo-assinado também pede a reabertura do estacionamento.”

Já Simone afirma não ter tomado conhecimento de tais reclamações, em função do fechamento do estacionamento:

“Depois da duplicação da Avenida das Américas ficou mais difícil estacionar perto do comércio em todo o bairro.”

Acalmar os ânimos dos moradores do Recreio

Sancler Mello, na intenção de acalmar os ânimos dos moradores do Recreio, esteve no terreno da Praça da Amore no último domingo (2) e gravou um vídeo no qual diz que, na Superintendência, já tinham pedidos antigos para que o terreno do estacionamento fosse desocupado. O superintendente ainda indica quem são os empresários que venceram a licitação do lote posto à venda no ano passado e confirma que a construção será feita respeitando as leis urbanísticas da região. Ele explica também que o local nunca foi considerado uma praça e que o outro lote será colocado à venda:

“O estacionamento funcionava num terreno da Riourbe que, para ser vendido, precisa ser desocupado. E isso vai acontecer em breve. Procurei na prefeitura, mas não encontrei documento algum que afirmasse que o espaço era uma praça. A venda foi feita de maneira legal, e todo o processo foi publicado no Diário Oficial.”

Simone, da associação Amor, acredita que mais áreas devem ser vendidas em breve:

“Essa gestão da prefeitura está vendendo todos os terrenos públicos que estão ociosos. Já aconteceu na Barra e está acontecendo aqui também.”

Fonte: O Globo

*Foto: Divulgação / Guilherme Pinto / Agência O Globo