Hospital Geral de Cuiabá suspende atendimentos

Com a suspensão dos atendimentos no Hospital Geral, Estado é culpado por prefeitura, que também cobra repasse de R$ 44 milhões

O Hospital Geral de Cuiabá (MT) permanece sem receber pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), em decorrência da falta de repasses financeiros da prefeitura da cidade, no valor de R$ 3,8 milhões. Em uma coletiva ocorrida na última quarta-feira (4), Luiz Antônio Possas de Carvalho, secretário municipal de saúde, reconheceu somente uma dívida de R$ 461 mil, quantia esta referente a serviços de cardiologia, que deve ser pago até hoje (6).

Em defesa do Estado

Possas de Carvalho ainda defende que todos os repasses feitos pelo Estado ao município, para pagamentos dos hospitais filantrópicos foram repassados às respectivas entidades. Em contrapartida, o Hospital Geral afirma que os R$ 3,8 milhões cobrados já foram repassados pelo Ministério da Saúde e pela secretaria Estadual de Saúde (SES) ao Fundo Municipal de Saúde (FMS). No entanto, não foram pagos ao hospital mesmo com as notas faturadas e já em poder da SMS.

O governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Saúde, divulgou que antecipará repasses aos hospitais filantrópicos ainda nesta semana, que se encerra hoje, para evitar o registro de novas suspensões de atendimentos e procedimentos médicos, como no Hospital Geral.

Prefeitura

Já a prefeitura de Cuiabá foi transparente ao dizer que o Executivo passa por uma fase de dificuldades para manter a saúde pública em progresso, em virtude de uma dívida que o Estado possui com o município. Em uma planilha entre à imprensa pelo secretário, fica provado que o Governo do Mato Grosso está em débito com a cidade em mais de R$ 44 milhões. Desse total, segundo afirmação do secretário Luiz Possas, apenas R$ 30 milhões são admitidos pelo Governo, ao passo que os outros R$ 14 milhões são ignorados pelo órgão. O secretário ainda ressaltou durante a coletiva:

 “O Estado deve para prefeitura de Cuiabá, reconhecidamente, R$ 44 milhões e não voltou ainda para a Prefeitura. Nós estamos tendo muito trabalho, muito esforço e muito sacrifício para manter a saúde pública avançando e atendendo com dignidade a população. Então, entre o público e o privado minha prioridade é atender o público, atender a administração direta, que são os centros de saúde, as unidades básicas de saúde, os PSFs, as policlínicas, as UPA’s, o HMC e o São Benedito”.

Postura do Hospital Geral

Na mesma ocasião, ele aproveitou para repelir a direção do Hospital Geral pela decisão de paralisar os atendimentos sem avisar a Prefeitura com antecedência:

“Eu não admito usar o usuário do sus, como moeda de pressão. O usuário é ser humano e merece respeito. Por causa de 10 dias de ‘atraso’ fechar a unidade, aí não dá, tá fugindo o comprometimento. Cuiabá para não ficar à mercê dos filantrópicos está ofertando cada vez mais serviço. Vamos chegar de ofertar 100% dos serviços necessários”.

Já por parte do Estado, Gilberto Figueiredo, secretário estadual de Saúde, mostrou durante reunião com representantes dos hospitais filantrópicos na SES, as planilhas que provam a regularidade dos repasses financeiros do Governo à Prefeitura de Cuiabá no decorrer deste ano e ainda explicou:

“Os hospitais filantrópicos recebem recursos do Governo Federal, Estadual e Municipal. Ficou claro, durante a reunião, que não há qualquer atraso nos repasses do Governo do Estado de Mato Grosso. É importante frisar que a gestão estadual não passa o recurso diretamente aos hospitais, a contratualização é feita via município, que é responsável por repassar o valor às unidades”.

Fonte: Portal Agora Mato Grosso

*Foto: Divulgação / Alair Ribeiro – MidiaNews