Aracaju adota medidas de inclusão para cerca de 600 alunos

Ao longo de dez anos, 23 salas com recursos de inclusão foram instaladas em instituições de ensino da cidade

A cidade de Aracaju tem realizado ao longo de dez anos medidas de inclusão para crianças com diferentes tipos de necessidades especiais. Atualmente, a capital do Sergipe atende cerca de 600 alunos nestas condições.

Como é dito nos dias de hoje, uma escola deve ser inclusiva e acolher a todos, sem distinção. E isso inclui a educação especial, que promove o desenvolvimento das habilidades das pessoas com deficiência e que visa permitir a convivência e a integração social. Com isso, favorece a inclusão e a diversidade.

Inclusão do último censo escolar

De acordo com o último censo escolar, feito em 2018, foi identificado que cerca de 600 crianças estão em situação de inclusão, na rede pública municipal de ensino de Aracaju. Um salto significativo, se compararmos que em 2009, este numera era de aproximadamente 60 crianças.

Maria Cecília Leite, secretária municipal de educação, ressalta que a Aracaju tem realizado avanços consideráveis em relação à educação inclusiva. E isso se refere à infraestrutura das escolas e o ensino que é oferecido. Em declaração ao Jornal da Cidade.Net, ela afirmou:

“Nós demos um grande passo na perspectiva da educação inclusiva que foi exatamente preparar a escola para receber a criança, na questão da acessibilidade, e construir uma equipe que tenha condições e habilidades para trabalhar com essas crianças. Se uma criança necessita de cuidado especial, toda a escola se envolve nesse cuidado”.

Sala de Recursos Multifuncionais

Nos últimos dez anos, várias espaços de recursos foram instalados nos colégios. Atualmente, a rede municipal conta com 23 delas, chamadas de Sala de Recursos Multifuncionais. O local tem por objetivo criar um ambiente complementar e/ou suplementar ao trabalho que já é feito em sela de aula regular, e que promove aos alunos da educação especial de inclusão recursos e estratégias que proporcionem e facilitem o dia a dia na escola, além de sua rotina na sociedade.

A cidade de Aracaju possui hoje 74 escolas da rede municipal, em que 23 delas já têm sala de recursos para alunos com necessidades especiais.

O propósito destas salas é poder realizar um atendimento educacional especializado, com formação e psicoterapia. Nestes espaços são atendidos alunos de inclusão com variadas deficiências, como autismo, deficiência intelectual, deficiência visual e deficiências múltiplas.

Segundo Priscila Brandão, professora da sala de recursos da Emef Papa João Paulo II:

“Nós estamos aqui para dar esse suporte de atendimento individualizado a eles, estímulo na aprendizagem, com materiais lúdicos, jogos, brinquedos educativos e o trabalho com os professores para tentarmos, cada vez mais, incluirmos essas crianças”.

Além disso, também são feitos trabalhos de estimulação, sempre em conjunto com os professores, que são orientados quanto ao processo de inclusão dessas crianças em sala de aula, e ainda sobre que tipo de material escolar deve ser utilizado e de como devem tratar essas crianças, reforça Priscila.

“Nós temos atendimentos individualizados, que duram em torno de 50 minutos, normalmente feitos individualmente ou em dupla, dependendo da demanda, pois temos uma demanda muito grande aqui. São aproximadamente 30 alunos, todos aqui da Emef Papa João Paulo II. É um trabalho feito de acordo com a necessidade de cada um”.

Redes de apoio de inclusão

Para que a educação inclusiva seja efetivada é necessário também contar com redes de apoio que estejam dispostas a complementar o trabalho do professor. Este suporte é formado pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE) e de profissionais da educação especial (intérprete, professor de Braille, cuidadores) da saúde e da família.

É o caso de Letícia Vitória, de 10 anos, que é aluna da Emef Papa João Paulo II. Ela é uma das crianças que estão inseridas no cenário da educação de inclusão em Aracaju. Por possuir deficiências múltiplas, a garota precisa de um ensino especial, coisa que não ocorria em sua antiga escola. Maria Rosa Dória, que acompanha a menina, diz que ela evoluiu muito desde que mudou para a Emef. E ainda acrescentou ao Jornal da Cidade.Net:

 “Antes ela estudava em uma escola particular, mas lá eles não tinham o mesmo cuidado que ela recebe aqui. A partir daqui pudemos perceber que muita coisa mudou na vida dela. Antes Letícia não levantava e hoje isso já acontece. Aqui ela tem uma convivência com as outras crianças, ela brinca, vai para passeios. A mãe dela sempre comenta sobre a evolução e como agora ela faz várias coisas que não fazia”.

Fonte: Jornal da Cidade.Net

*Foto: Divulgação