Empréstimo de bikes atrai poucas mulheres no Capão Redondo

A empresa de empréstimo de bikes, a Grow, realizou um projeto piloto em 2019, com o intuito de emprestar bicicletas da Yellow, nos bairros do Capão Redondo e no Jardim São Luís, na periferia da zona sul de São Paulo. A pedido da companhia foi realizado um estudo que revelou que a iniciativa atraiu mais os homens do que as mulheres, com idades entre 26 e 40 aos, e renda mensal de até R$ 2.078.

Bikes não atraíram muitas mulheres na periferia da zona sul de SP

De acordo com a pesquisa, 69,7% dos usuários deste meio de transporte entrevistados afirmaram ser homens. Já as mulheres foram 15,8%, e 14,5% optaram por não responder qual é o seu gênero.

No entanto, as informações confirmam uma visão de quem costuma acompanhar a utilização de bikes em bairros mais afastados da capital paulista, como a criadora do Mapa Pedal Afetivo, Jo Pereira, que declarou seu ponto de vista sobre as mulheres ao participar de um evento organizado pela Grow, em maio de 2019, em que foi lançado o projeto no Capão Redondo:

“Quem pedala na periferia são os homens. Mulheres brancas e negras estão excluídas da micromobilidade ali.”

Sobre isso, o escritor Ferrez complementou no mesmo debate:

“Na periferia, a mulher não consegue andar nem de carro com vidro abaixado, e nem a pé, porque os caras mexem de forma brutal. Quando minha mulher dirige, os outros motoristas mexem o tempo todo. Mandam beijo. E tem cara que assobia e se a mulher não olha, ele ainda xinga.”

Preferência pelas bikes

Além disso, o estudou que ouviu 310 pessoas, comprovou que 30% dos entrevistados trocaram viagens de ônibus pela bicicleta, e 14% deixaram o carro ou moto. Outros 23% deixaram de fazer seu percurso a pé ou de pegar carros de aplicativo ou táxi (10%).

Antes, parte dessas viagens de ônibus ou automóvel era realizadas para chegar até o metrô. Agora, segundo a pesquisa, dois terços dos entrevistados disseram utilizar bikes no deslocamento para o trabalho.

A pesquisa também apontou que 71% dos usuários afirmaram que adotar a bicicleta gerou uma economia de tempo. Os minutos a mais passaram a ser usados para lazer (18,7%), estar mais com a família (13,5%) ou trabalhar ainda mais (15,5%).

Economia de dinheiro

Outra percepção foi que ao trocar o ônibus pela bike, teve também uma economia de dinheiro, visto que cada viagem de ônibus custa R$ 4,40 (R$ 3,25 se o usuário pegar também o metrô), e as bikes eram emprestadas a R$ 1 por 15 minutos, como explica Franklin Lacerda, diretor de Estudos e sócio da Análise Econômica Consultoria, responsável pelo estudo:

“Estamos falando de uma economia diária de R$ 6,60, algo em torno de R$ 145 por mês. Considerando uma região periférica com 1.700 usuários, a economia total será de, aproximadamente, R$ 3 milhões em um ano.”

Embora, os bons resultados indicados pela consultoria, as bikes da Yellow deixaram de circular em todo o Brasil em janeiro deste ano e, por enquanto, não há previsão de retorno. Em nota, a companhia disse que “busca parcerias públicas ou privadas para fortalecer sua operação”.

Atualmente, a região conta com um serviço de empréstimo de patinetes, também pertencentes à Grow, que custam mais: R$ 2,25 para desbloquear o serviço e mais R$ 0,75% por minuto. Antes, as bikes custavam R$ 1 pelo prazo de 30 minutos.

Fonte: Folha de S. Paulo

*Foto: Divulgação